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África cede áreas para Emirados Árabes compensarem emissões



A partir desta quinta-feira (30), os Emirados Árabes Unidos
recebem a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP28)
numa posição inusitada: sétimo maior produtor de petróleo do mundo em 2022,
sediarão um evento em que o tema principal deve ser a redução das emissões de
carbono.

O caminho que o país árabe tem buscado para compensar suas
emissões também vem despertando incômodo. A Blue Carbon, empresa sediada nos
Emirados Árabes, assinou memorandos de entendimento com cinco países africanos
(Zimbabué, Papua Nova Guiné, Tanzânia, Zâmbia e Libéria) para obter concessões de
áreas florestais que somam 24,5 milhões de hectares, o tamanho do Reino Unido.

A emissora americana CNN apurou que a empresa deve
apresentar esses acordos durante a COP28, onde a regulação do mercado de
créditos de carbono deve ser decidida.

É dado como certo que, devido ao fato de o presidente da
Blue Carbon, o xeique Ahmed Dalmook Al Maktoum, integrar a família real do
emirado de Dubai, os créditos de carbono da empresa gerados na África devem ser
usados para compensar as emissões dos Emirados Árabes, mas também devem ser
vendidos para outros países.

Entretanto, a política de conseguir concessões de grandes
áreas em território africano gera preocupações sobre soberania nacional e
corrupção.

Um artigo recente do site REDD-Monitor, especializado em
questões sobre as emissões de carbono, apontou que os comunicados da Blue
Carbon e dos governos dos países onde a empresa obteve concessões falam em
atender as comunidades locais com os projetos que serão desenvolvidos nas áreas
cedidas.

Porém, as concessões foram definidas sem “nenhum processo de
consentimento livre, prévio e informado com as comunidades que serão afetadas”,
apontou o pesquisador Chris Lang.

“Não há explicação sobre o que serão exatamente estes
programas de bem-estar comunitário, ou como serão administrados, ou qual o
papel que as comunidades irão desempenhar nas decisões tomadas pelos programas”,
disse.

Saskia Ozinga, cofundadora da ONG europeia de Justiça
ambiental Fern, afirmou em entrevista ao site da Escola de Meio Ambiente da
universidade americana de Yale que “a corrida pelo carbono florestal da África”
está ocorrendo com pouca transparência.

“Estes acordos trazem o risco de lesar os países, as
comunidades florestais e o clima, e parecem ser negociados por governos
africanos que não compreendem os mercados de carbono ou que se beneficiam
pessoalmente dos acordos”, alertou.

Ambientalistas também afirmam que a busca por áreas
florestais em países pobres para compensar emissões seria uma estratégia para
contornar a redução da produção e do uso de combustíveis fósseis, medida
defendida pelos ativistas.

Documentos vazados nesta semana pela organização Centro de
Reportagens sobre o Clima e pela BBC apontaram que os Emirados Árabes planejam
utilizar a COP28 para fazer lobby junto a outros governos para fechar mais
negócios na área de petróleo e gás.

Este mês, o jornal britânico The Guardian revelou que campos de petróleo e gás nos Emirados Árabes têm queimado gás extraído que não é capturado e vendido (prática conhecida como flaring) praticamente diariamente, apesar do país ter se comprometido há 20 anos a zerar essas queimas.



Fonte: Gazeta do Povo

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