Condenado por estrupo que não cometeu nos EUA, homem é solto após 36 anos

 Condenado por estrupo que não cometeu nos EUA, homem é solto após 36 anos

O Globo

Um homem que foi condenado aos 17 anos por um estupro que não cometeu em Nova Orleans, nos EUA, foi solto depois de 36 anos atrás das grades. A sentença era de 39 anos – quatro por uma acusação de roubo não relacionada ao caso de estupro e 35 anos por várias acusações no caso de estupro. A libertação de Sullivan Walter, hoje com 53 anos, ocorreu na última quinta-feira após o juiz distrital Darryl Derbigny anular sua condenação, que incluía invasão de domicílio. Segundo o magistrado, as evidências de sangue e sêmen que poderiam tê-lo inocentado nunca chegaram ao júri no julgamento realizado nos anos 1980, que durou apenas um dia.

— Dizer que isso foi inconcebível é um eufemismo — declarou Derbigny

De acordo com o The Times Picayune, o juiz considerou o caso algo “horrível”.

— Estou sem palavras para expressar a tristeza e a raiva que tenho com o tratamento que você recebeu do sistema — disse Derbigny para Sullivan.

Após comparecer ao tribunal, Sullivan foi levado ao Centro Correcional Elayn Hunt em St. Gabriel, na Louisiana, de onde foi oficialmente libertado.

— Estou pronto para viver — disse Sullivan, segundo o The Times Picayune. — Eu só quero viver uma vida honesta e livre.

Segundo a revista People, Sullivan foi preso pelo estupro com base na identificação da vítima e no fato ter usado um boné de beisebol azul semelhante ao do agressor de fato. Mas para Richard Davis, diretor jurídico do Projeto de Inocência de Nova Orleans, um grupo de defesa na área criminal , foi o fato de Sullivan ser negro que marcou um ponto decisivo em sua condenação injusta.

“Os advogados e policiais envolvidos agiram como se acreditassem que poderiam fazer o que quisessem com um adolescente negro de uma família pobre e nunca seriam averiguados ou responsabilizados”, disse Davis em um comunicado. “Não se trata apenas de indivíduos e suas escolhas, mas dos sistemas que permitem que elas aconteçam”.

A equipe do promotor público Jason Williams também trabalhou com os advogados que atuam junto ao projeto para anular a condenação. A investigação começou a ser feita em outubro de 2021.

O caso de estupro pelo qual Sullivan foi injustamente condenado ocorreu na casa da vítima numa noite em maio de 1986. A vítima, identificada como L.S, foi ameaçada com uma faca em sua garganta, enquanto seu filho de 8 anos dormia.

Segundo Emily Maw, do escritório do promotor, havia motivos para acreditar que a vítima havia identificado Sullivan como o autor do crime erroneamente.

“Houve algumas bandeiras vermelhas de que o depoimento da testemunha ocular poderia não ser confiável”, declarou Maw no pedido de anulação da condenação. “Nesse caso, L.S. estava sendo solicitada a fazer uma identificação inter-racial de alguém que em todos os momentos que ela podia observá-lo estava mascarado, em um quarto escuro à noite, e/ou ameaçando-a para não olhar para ele. Além disso, L.S. não viu uma matriz de fotos contendo o Sr. Walter até mais de seis semanas após o crime”.

De acordo com o projeto de inocência, o encarceramento de Sullivan foi a prisão ilícita mais longa de um menor de idade na história do estado da Louisiana e o quinto mais longo na história dos EUA.

Uma vaquinha online foi criada para ajudar Sullivan a se reerguer. Até o momento, foram arrecadados US$ 10,2 mil, dentro de uma meta de US$ 15 mil.

“Em 25 de agosto de 2022, Sullivan Walter foi libertado após estar preso desde 26 de junho de 1986 por um estupro que não cometeu. O Sr. Walter tem 53 anos. Ele tinha apenas 17 anos quando foi preso, mas foi processado como um adulto. Ele passou 36 anos e dois meses — mais de dois terços de sua vida — na prisão. Este é o encarceramento ilícito mais longo conhecido de um adolescente na história da Louisiana e o quinto mais longo na história dos EUA. Por favor, contribua para o apoio do Sr. Walter enquanto ele reconstrói sua vida”, diz a descrição da campanha.

Yoná Micaella

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