Diferença cai, mas Palmeiras mantém conforto na rodada em que líder e vice-líder jogaram mal

 Diferença cai, mas Palmeiras mantém conforto na rodada em que líder e vice-líder jogaram mal

Não há time campeão brasileiro com 14 rodadas por jogar. Mas também é fato que sete pontos representam uma diferença respeitável com pouco mais de um terço de competição pela frente. Os números mostram que quem quiser tirar o título do Palmeiras terá que torcer por uma oscilação que o líder ainda não teve, combinada com um desempenho difícil de sustentar por parte dos desafiantes.

Perseguidor mais próximo do líder, o Flamengo tem 14 jogos sob as ordens de Dorival Júnior, o mesmo número de rodadas que restam para o fim do campeonato. Se repetir os 31 pontos que venceu no período, e que dão ao treinador um aproveitamento de 73,8%, o rubro-negro terminaria a competição com 74 pontos. É possível argumentar, a favor do Flamengo de Dorival, que duas de suas três derrotas aconteceram no início do trabalho do treinador, com pouquíssima convivência com o elenco. Ou seja, o desempenho poderia ter sido ainda melhor. Ainda assim, manter tal rendimento por um longo período da Série A é historicamente desafiador. Além disso, o desempenho do time reserva rubro-negro no Nílton Santos não foi bom. E é provável que tal formação siga sendo usada por mais algumas rodadas, enquanto o time titular segue avançando nas copas.O Palmeiras ganhou, nas 24 rodadas já disputadas do Brasileirão, 70% dos pontos disputados. É um número alto. Para chegar aos 74 pontos que o Flamengo teria caso mantivesse até o final o aproveitamento obtido desde a contratação de Dorival, a equipe de Abel Ferreira precisaria somar 24 pontos nas 14 rodadas que restam. Isto significa baixar seu aproveitamento atual para 57%.

O sábado não deixou sensações boas a respeito do Palmeiras, e o empate com o Fluminense pode ter reforçado a ideia de que o atual líder é um time alcançável. Ocorre que o domingo, mesmo com a vitória sobre o Botafogo, deixou dúvidas sobre o time reserva do Flamengo que vem disputando o Brasileiro.

O Maracanã viu o Palmeiras repetir o comportamento extremamente conservador com que Abel Ferreira costuma encarar os jogos mais desafiadores. Por definição, tal estratégia não é erro nem acerto, é apenas uma forma de sentir o jogo, são apenas crenças de um treinador que impõe sua marca ao líder do campeonato. Ocorre que o jogo de sábado foi mais um daqueles em que um Palmeiras superior no primeiro tempo, no lugar de reduzir as chances do rival, terminou por flertar com o risco e viver no limite. Hesitante em aproveitar os espaços generosos cedidos por um Fluminense desestruturado sem bola, trouxe o jogo para o seu campo até levar um gol numa bola parada. No segundo tempo, deu-se ainda mais por satisfeito e viu a diferença entre resgatar um ponto ou perder o jogo se resumir a uma bola na trave. Novamente, deixou a sensação de um time que dá ao espetáculo menos do que pode.

Já o Flamengo, cujos resultados nos induzem a normalizar o que deveria ser exceção, voltou a usar seus reservas na vitória sobre o Botafogo. Por melhor que seja o elenco e por mais qualidade que tenham os suplentes, é evidente que o nível dos titulares é maior. A origem do problema é o calendário brasileiro, que faz o maior campeonato do país ver um de seus gigantes atuar sistematicamente sem que seus maiores nomes iniciem as partidas. Mas a opção rubro-negra também soa radical, por vezes. E esvazia jogos.

Desta vez, o desempenho dos suplentes foi ruim e o time foi superado durante 45 minutos. Dois minutos antes do gol de Vidal, haviam entrado Éverton Ribeiro e Pedro. Talvez seja exagero atribuir à influência deles a abertura do placar, mas é fato que Pedro participou diretamente do gol. O que fica do clássico, no entanto, é a dúvida sobre a capacidade do time reserva de continuar sustentando o aproveitamento necessário para perseguir o Palmeiras.

O líder pode e deve jogar mais do que nas últimas rodadas. Mas sua vantagem, se não é definitiva, ainda lhe dá certo conforto.

Yoná Micaella

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