Polícia conclui inquérito e denuncia Rafael Ramos, do Corinthians por suposta injúria racial contra Edenilson, do Internacional

 Polícia conclui inquérito e denuncia Rafael Ramos, do Corinthians por suposta injúria racial contra Edenilson, do Internacional

Edenilson, do Inter, diz ter sofrido injúria racial de Rafael Ramos, do Corinthians — Foto: Silvio Avila/Getty Images

Ministério Público do Rio Grande do Sul analisará o caso para decidir se ingressa com ação, pede arquivamento ou mais investigações

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O delegado Roberto Sahagoff, titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Porto Alegre, indiciou o lateral Rafael Ramos, do Corinthians, por injúria racial contra o volante Edenilson, do Inter. O inquérito foi enviado nesta segunda-feira ao Ministério Público, que vai decidir se dará seguimento na Justiça.

– O caso foi concluído por mim e encaminhado ao Ministério Público. O promotor definirá se ingressa com ação, arquiva ou pede alguma diligência – disse o Sahagoff ao ge.

Ainda na semana passada, o delegado disse que pediria o indiciamento de Rafael Ramos por considerar que havia indícios do crime de injúria racial, mesmo após o laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul concluir que não era possível identificar o que foi dito pelo jogador após analisar imagens da partida.

Em resposta, o advogado Daniel Bialski, contratado pelo Corinthians para fazer a defesa de Rafael Ramos, declarou que tomaria “medidas jurídicas” contra o que chamou de “arbitrariedade” da polícia –a maneira com a qual o lateral foi detido no Beira-Rio também entra nesse posicionamento.

– Acaso o delegado pretenda, contra a prova pericial taxativa, indiciar o Rafael, iremos tomar as devidas providências jurídicas, seja para evitar isso, seja para apurar o abuso de autoridade praticado. Não se tolerará novamente arbitrariedade – declarou Bialski.

Relembre o caso

Em 14 de maio, durante o empate do Inter em 2 a 2 com o Corinthians, Edenilson acusou o jogador do Timão de chamá-lo de “macaco” durante uma disputa de bola na linha lateral. Após o jogo, Rafael Ramos foi detido em flagrante pela polícia por injúria racial e liberado após pagar fiança de R$ 10 mil.

Um lado de 40 páginas foi enviado na quarta-feira da semana passada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul à 2ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, responsável pelo caso.

Segundo nota divulgada pelo IGP, um vídeo do lance em questão foi analisado pelos peritos, mas não foi possível identificar o que foi dito por Rafael Ramos por que a maior parte dos gestos que compõe a fala dele ocorre na “porção interna da cavidade oral”.

O resultado da perícia irritou Edenilson. No mesmo dia da divulgação, o capitão colorado mudou o nome em sua conta do Instagram para “Macaco”, apagou as publicações no perfil e desabafou.

– Não iriam nos calar? Já nos calaram. Se ofendidos aceitem, engulam a seco. Finjam que não escutaram, é uma luta desleal, é uma luta inconclusiva – publicou.

O caso também está sendo investigado na esfera esportiva. Em datas diferentes, Edenilson e Rafael Ramos prestaram depoimentos no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e mantiveram as versões apresentadas anteriormente.

O auditor-relator do caso, Paulo Feuz, disse que o inquérito deve ser concluído em 35 dias. O STJD também vai solicitar uma perícia do tribunal para a produção de provas e descarta uma acareação (confronto de versões) entre os dois jogadores.

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