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A apenas uma semana do “tarifaço”, Brasil ainda não tem acordo com os EUA

Faltando exatamente uma semana para a entrada em vigor da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, marcada para 1º de agosto de 2025, o Brasil ainda segue sem um acordo comercial revisado com Washington.

Relações diplomáticas e ausência de interlocução

Apesar dos esforços brasileiros, não há interlocução direta com a Casa Branca: o único contato com o alto escalão dos EUA foi entre o vice‑presidente Geraldo Alckmin e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. O diálogo durou cerca de 50 minutos e foi considerado “proveitoso” por Alckmin, mas não trouxe avanços concretos¹.

Além disso, o ministro da Fazenda Fernando Haddad confirmou que a comunicação com o Tesouro americano ocorre apenas em nível técnico, e que as decisões ficam centralizadas na presidência dos EUA².


Mobilização do setor privado e comitê interministerial

O governo brasileiro criou um comitê interministerial em 15 de julho para formular respostas e estratégias diante da tarifa. Mais de 100 representantes de indústria, agronegócio e techs americanas foram ouvidos³. O foco agora é buscar:

  • Adiamento da aplicação da tarifa por 60 a 90 dias, alegando que diversos produtos já estão em trânsito ou em contratos em andamento⁴.
  • Abertura de canais institucionais por meio de uma missão oficial a Washington no fim deste mês, ainda sem decisão final tomada⁵.
  • Mobilização das entidades privadas para enviar caravanas independentes aos EUA, com apoio de Alckmin, sobretudo do setor mineral⁶.

Impactos e risco de retaliação

A tarifa bilateral de 50% surge como uma retaliação econômica por parte dos EUA frente à atuação judicial contra o ex‑presidente Jair Bolsonaro. Trump definiu essa medida em carta enviada ao presidente Lula, afirmando que o Brasil criou uma “relação comercial injusta”, e ressaltando que, caso o Brasil responda com taxas próprias, os EUA aumentariam ainda mais suas alíquotas⁷.

Embora o agronegócio e a indústria brasileira sejam os mais ameaçados, setores como o de minerais críticos podem ser tratados de forma diferenciada, graças a negociações iniciadas entre autoridades brasileiras e americanas na última semana⁸.


Cenário futuro e próximos passos

  • A possibilidade de suspensão ou adiamento da tarifa parece cada vez mais remota, conforme admitiu a equipe econômica⁹.
  • Caso a tarifa entre em vigor, setores estratégicos como carne, suco de laranja e tecnologia podem sofrer perdas bilionárias.
  • O governo avalia medidas retaliatórias via OMC e legislações internas, mas descarta a retaliação imediata para evitar danos maiores⁴.
  • O setor privado se prepara para tentar influenciar negociações diretas com o Congresso e segmentos do governo americano, mesmo com acesso limitado à Casa Branca ⁶.

Por que isso importa?

  1. Tensão política significativa entre dois países-chave, Brasil e EUA, com reflexos sobre diplomacia, comércio e política interna.
  2. O agronegócio e a indústria nacional enfrentam risco elevado de perdas bilionárias e desarticulação de contratos.
  3. A diplomacia brasileira parece estar sendo contornada por canais políticos internos dos EUA, elevando o nível da crise bilateral.
  4. A disputa abre precedente internacional: países podem vir a adotar políticas unilaterais semelhantes caso não abram seus mercados.
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