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“Aqui ninguém põe a mão”: Lula reage ao interesse dos EUA por minerais brasileiros

Durante agenda oficial em Minas Novas (MG), nesta quinta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um tom firme ao comentar o interesse dos Estados Unidos nos minerais estratégicos brasileiros. Diante do recente movimento diplomático norte-americano, Lula declarou:

“Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro.”

A fala foi direcionada aos esforços dos EUA para se aproximar do governo brasileiro em busca de acordos que envolvam recursos como nióbio, lítio e terras raras — elementos fundamentais para a indústria de tecnologia, defesa e transição energética.

Negociações em curso

Na última semana, representantes do governo norte-americano, incluindo o encarregado de negócios da embaixada dos EUA, se reuniram com lideranças do setor mineral e com técnicos do governo brasileiro em Brasília. O foco foi discutir a nova Política Nacional de Minerais Estratégicos, que está em formulação no Brasil.

Apesar da declaração contundente de Lula, o governo mantém canais abertos para negociação. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil está disposto a dialogar com os Estados Unidos sobre o tema, desde que o processo seja técnico e isento de ideologia.

Segundo Alckmin, o Brasil não abandonou nenhuma mesa de negociação e busca transformar os conflitos recentes com os EUA — como o impasse comercial em torno das tarifas de importação — em oportunidade de cooperação.

Interesse norte-americano

Os Estados Unidos vêm demonstrando forte interesse em diversificar suas fontes de minerais estratégicos, atualmente concentradas em grande parte na Ásia, especialmente na China. O Brasil, com uma das maiores reservas mundiais de terras raras e outros insumos essenciais, tornou-se alvo prioritário de aproximação.

Com a escalada das tensões diplomáticas após o anúncio de um tarifaço americano sobre produtos brasileiros, previsto para entrar em vigor em 1º de agosto, o tema dos minerais críticos se tornou ainda mais sensível. Os recursos naturais agora ocupam o centro de uma disputa que é, ao mesmo tempo, econômica, geopolítica e simbólica.

Brasil entre a soberania e o mercado

A declaração de Lula reforça a defesa da soberania nacional sobre as riquezas naturais, em especial diante de pressões externas. Ao mesmo tempo, o governo sinaliza que está disposto a negociar, mas com base em termos equilibrados e que favoreçam o desenvolvimento industrial e tecnológico brasileiro.

O cenário revela o desafio de manter a autonomia sobre recursos estratégicos sem se isolar comercialmente — e de se proteger contra interesses externos sem fechar as portas para parcerias internacionais legítimas.

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