O grupo extremista Hamas divulgou neste sábado (3) um vídeo impactante que mostra o refém israelense Evyatar David, de 24 anos, cavando o que seria a sua própria cova dentro de um túnel em Gaza. A gravação, que chocou a opinião pública e provocou uma forte reação do governo israelense, expõe o jovem em estado visivelmente debilitado, afirmando estar há dias sem se alimentar.
David foi sequestrado durante o ataque ao festival de música Nova, em 7 de outubro de 2023, e aparece no vídeo portando uma pá enquanto fala diretamente à câmera. “O que estou fazendo agora é cavar a cova… a cada dia meu corpo está mais fraco… parece que estou caminhando para a minha própria morte. O tempo está se esgotando”, declara ele, com voz embargada e aparência cadavérica.
Este é o terceiro vídeo divulgado pelo Hamas nos últimos dias mostrando reféns em situação de extrema fragilidade. Outro caso recente envolve Rom Braslavski, de 21 anos, também capturado durante os ataques de outubro. As imagens fazem parte de uma nova estratégia do grupo, que busca aumentar a pressão psicológica sobre o governo israelense e a população do país.
A família de Evyatar autorizou a divulgação do vídeo como forma de denunciar a condição desumana em que o jovem está sendo mantido e de exigir ações mais efetivas do governo. Parentes de outros reféns também se manifestaram em protestos realizados na Hostages Square, em Tel Aviv, pedindo um cessar-fogo imediato e a libertação de todos os cativos.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou as imagens como “horríveis” e reafirmou o compromisso do governo em derrotar o Hamas. Segundo ele, os vídeos apenas fortalecem a determinação de continuar as operações militares até que todos os reféns sejam libertados.
As negociações por um cessar-fogo, mediadas por Egito, Catar e Estados Unidos, continuam travadas. O Hamas exige a criação de um Estado palestino independente com Jerusalém como capital e se recusa a entregar armas antes disso. O grupo também condicionou o envio de ajuda humanitária aos reféns à suspensão dos bombardeios israelenses e à criação de corredores humanitários permanentes em Gaza.
Enquanto isso, cresce a pressão internacional para um acordo que coloque fim à guerra e evite a morte de mais civis e reféns inocentes. A situação humanitária na Faixa de Gaza permanece crítica, com milhares de pessoas em condições precárias e sem acesso regular a alimentos, água e medicamentos.



