O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou a elevar o tom contra os Estados Unidos ao afirmar que “nenhum império vai tocar o solo sagrado da Venezuela”. A declaração foi feita durante uma reunião televisionada com governadores e prefeitos em Caracas, na terça-feira (18), em resposta à movimentação de navios de guerra americanos na costa do país.
Segundo informações da agência Reuters, três destróieres — USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson — devem chegar ao sul do Caribe como parte de uma operação militar voltada ao combate ao narcotráfico. A missão envolveria cerca de 4.000 militares, aviões espiões P-8 e até um submarino de ataque, com atuação em águas e espaço aéreo internacionais.
Escalada de tensão e resposta venezuelana
Maduro, acompanhado do ministro Diosdado Cabello, reforçou o discurso de soberania:
“Defendemos nossos mares, nossos céus e nossas terras. Nós os libertamos, vigiamos e patrulhamos. Nenhum império tocará o solo sagrado da Venezuela, nem deve tocar o solo sagrado da América do Sul”, declarou.
Apesar da movimentação, o Departamento de Defesa dos EUA negou que os navios tenham recebido ordens para avançar sobre a Venezuela. A Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, reiterou que o presidente Donald Trump está disposto a usar todos os recursos disponíveis para interromper o fluxo de drogas e responsabilizar os envolvidos.
Milicianos mobilizados e zonas de segurança
Em paralelo, Maduro anunciou o envio de 4,5 milhões de milicianos para todo o território nacional como parte de um “plano de paz”. A Milícia Nacional Bolivariana, criada por Hugo Chávez, será mobilizada para formar “quadrantes de paz” e reforçar a segurança nas fronteiras, especialmente com a Colômbia.
A tensão entre Washington e Caracas se intensificou após os EUA dobrarem a recompensa por informações que levem à captura de Maduro, agora fixada em US$ 50 milhões. A procuradora-geral Pam Bondi acusou o presidente venezuelano de colaborar com grupos como o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa.



