Um novo vazamento de água foi registrado em uma mina da Vale na cidade de Congonhas, no interior de Minas Gerais. Dessa vez, informou a prefeitura, o extravasamento foi identificado na mina Viga, que fica localizada na estrada Esmeril. De acordo com a Defesa Civil, já foi constatado extravasamento de água para o rio Maranhão.
Não houve bloqueio de vias nem comunidades atingidas. O impacto, de acordo com a prefeitura, é ambiental.
Este foi o segundo extravasamento em uma mina da Vale em menos de 24 horas na cidade de Congonhas. Ontem (25), segundo a prefeitura, houve o rompimento de uma barreira de contenção de água na mina de Fábrica, que fica a cerca de 22 km de distância da mina de Viga.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Mina de Fábrica
No caso do rompimento dessa cava da mina de Fábrica, o material atravessou o dique Freitas e seguiu carreando sedimentos e rejeitos de mineração, provocando impactos ambientais, mas sem vítimas.
Houve vazamento de 263 mil metros cúbicos de água turva que continha minério e outros materiais do processo de beneficiamento mineral. Esse vazamento chegou a atingir uma área de outra mineradora, a CSN, provocando danos materiais. Depois, essa lama atingiu o rio Goiabeiras, que atravessa parte da área urbana da cidade, antes de se encontrar com o Rio Maranhão, já na área central de Congonhas.
Segundo a CSN, esse rompimento provocou o alagamento de áreas de sua unidade Pires, localizada em Ouro Preto. Entre as áreas atingidas estão o almoxarifado, os acessos internos, as oficinas mecânicas e a área de embarque. “Importante ressaltar que todas as estruturas de contenção de sedimentos da CSN Mineração estão operando normalmente”, informou a CSN, em nota, ressaltando que está acompanhando a situação.
O rio Goiabeiras é afluente do rio Maranhão e este, por sua vez, deságua no Paraopeba, o mesmo que passa por Brumadinho e foi atingido pelo rompimento de uma barragem da Vale em 25 de janeiro de 2019, há sete anos.
Impactos
Em razão dos episódios ocorridos desde ontem na mina de Fábrica, foi montada uma sala de crise com participação das defesas civis das cidades de Congonhas e Ouro Preto, além de equipes da Coordenadoria de Estado de Defesa Civil (CEDEC), do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, da Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da prefeitura de Congonhas e do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG).
“Tal nível de turbidez da água acarreta consequências muito sérias. Uma delas é a perda de biodiversidade significativa, porque os índices de qualidade da água vão reduzir muito, seja pela baixa de oxigênio, de luminosidade e até porque o material vai assoreando os rios e aumentando as possibilidades de enchente. O material carreado, muitas vezes, pode ser tóxico, o que afeta as matas ciliares, responsáveis por conter os barrancos, que servem para evitar enchentes. Estas consequências serão observadas nos próximos meses, porque esse material vai descendo, cada vez mais. Nas áreas mais próximas ao rompimento da cava na área da Mina de Fábrica, da Vale, percebemos arraste de árvores e rochas e mudança no curso do rio”, disse João Lobo, secretário de municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, em nota.
Após o ocorrido na mina de Fábrica, a secretaria aplicou um auto de infração à Vale, que pode ser convertido em multa. “Embora não se trate de uma barragem, o município considera que a estrutura seria capaz de causar graves problemas ambientais e sociais, porque poderia acarretar até mesmo perda de vidas. A empresa não tinha condições de fazer o monitoramento atento e contínuo desta área”, falou o secretário.
A Agência Brasil procurou a Vale e também o Ministério de Minas e Energia, mas até este momento eles não se manifestaram sobre o assunto.
Fonte: Agência Brasil



