A Hora Alagoas Portal de Notícias de Alagoas 24 Horas com Notícias Tudo Na Hora na Web noticias a cada minuto
HomeMunicípiosSebrae impulsiona novas rotas e reposiciona o turismo em Alagoas - AMA

Sebrae impulsiona novas rotas e reposiciona o turismo em Alagoas – AMA


Experiências no Sertão e na Zona da Mata conectam cultura, natureza e sabores, e reposicionam o turismo no interior do estado

Alagoas guarda encantos de tirar o fôlego, carregados de história e riqueza cultural, como cânions escondidos em sítios arqueológicos e licores exóticos feitos de rosas vermelhas. Com o objetivo de apresentar e ampliar o alcance dessas experiências turísticas, o Sebrae Alagoas desenvolveu uma iniciativa piloto com empreendimentos prontos para comercialização, em duas rotas turísticas no Sertão e na Zona da Mata alagoana.

Ao todo foram mais de 72 horas dedicadas a conhecer novas experiências em Alagoas, e valorizar outras que já perduram há mais de 50 anos. As duas rotas foram apresentadas a 13 agências de turismo, que integram o Núcleo Tur (Associação de agências de turismo) . Elas pegaram a estrada em uma famtour com o propósito de proporcionar uma vivência prática de destinos, hotéis e serviços turísticos, permitindo que os profissionais conheçam o produto para vendê-lo com maior propriedade, segurança e eficiência em suas excursões.

Entre o grupo de 13 agências e empresas do setor turístico, com atuação em diferentes nichos, como ecoturismo, turismo de aventura, turismo religioso, público sênior e de mulheres, estavam: Destino Alagoas, Kairós Tur, Mais Viagens, MB Tur, O mundo de Mira, Onix Turismo, Pôr do Sol Turismo, Rosatur, Salomão Transtur, Sol e Mar, Una Turismo, Casulo Turismo e Mavi Viagens.

“Nosso objetivo é interiorizar o turismo em Alagoas, mostrando que o estado vai muito além do sol e praia. Estamos estruturando experiências no Sertão e na Zona da Mata e, agora, colocando esses produtos diante das agências para validar e transformar em roteiros comercializáveis”, destaca a analista do Sebrae, Amanda Pinto.

Agências que integram o Núcleo Tur participaram da vivência para conhecer os destinos e avaliar novas experiências que poderão integrar roteiros turísticos

Em Cantos do Sertão

A visita aos pontos turísticos na região do sertão alagoano foi dividida em duas partes que compõem a rota Em Cantos do Sertão. A primeira incluiu dois pontos com grande potencial turístico: uma visita guiada de vivência do mel, no Distrito do Piau, em Piranhas; e a Trilha Ecológica de Regeneração na Caatinga, no povoado Nova Esperança, em Olho D’Água do Casado, apresentando diferentes experiências turísticas.

A Casa do Mel, em Piau, é coordenada pela Cooperativa dos Produtores de Mel, Insumos e Produtos da Agricultura Familiar (COOPEAPIS). Durante a visita, é possível conhecer um pouco da história dos produtores, visitar a Casa do Mel para entender o processo de fabricação e experimentar os produtos vendidos pela COOPEAPIS (mel do sertão, biscoitos, balas, cachaça e extrato de própolis).

Na Casa do Mel, no distrito do Piau, o visitante conhece o processo de produção e experimenta produtos derivados da apicultura do sertão alagoano.

Já a Trilha Ecológica é a atividade principal da Associação Pegadas na Caatinga, que tem como foco o turismo cultural, ecológico e sustentável. A experiência conta com uma trilha leve em meio à vegetação nativa da região, que dá acesso a um sítio arqueológico, nos Cânions do São Francisco, onde podem ser encontradas pinturas rupestres, uma riqueza ancestral escondida no sertão alagoano.

O segundo momento desta primeira parte da visita acontece na Biblioteca e Bancos de Sementes, onde podem ser conhecidos e experimentados alimentos e frutos característicos do nordeste como o umbu e o juá. A visita é finalizada com uma experiência de regeneração com o plantio de mudas típicas da região, contribuindo para a preservação da caatinga, o único bioma exclusivo do Brasil.

“A trilha na caatinga é linda, perfumada e cheia de histórias, principalmente sobre as plantas e os produtos de cura que existem ali. E a visita ao cânion com pinturas rupestres me deixou surpresa, não sabia que existia isso por aqui, e isso mostra que a gente não precisa viajar tão longe para viver experiências incríveis”, compartilha Mira Costa, consultora e estruturadora de produtos turísticos que esteve presente na visita.

A segunda parte da visita à região semiárida do estado incluiu um itinerário no município de Água Branca. A região tem um trabalho turístico que vem sendo realizado pela Cooperativa de Ecoturismo Entre Serras há alguns anos, mas ainda é pouco conhecido.

A visita técnica contou com uma trilha ecológica de curta duração até uma das fontes naturais com águas límpidas e cristalinas que deu o nome ao município. Em seguida, foi realizada uma vivência na comunidade quilombola Serras das Viúvas, onde é desenvolvido um trabalho cultural e de preservação dos costumes ancestrais pela Associação das Mulheres Artesãs Quilombolas, que fortalece a produção artesanal e a agricultura familiar.

Além desse momento na parte rural do município, aconteceu um city tour histórico com parada na Casa Baronesa de Água Branca, local de um famoso assalto de Lampião. O município conta com um restaurante regional do Engenho São Lourenço, um ponto histórico que data de 1920, e o Novo Horizonte, localizado no ponto turístico Mirante do Calvário.

“Eu acredito muito nesse tipo de experiência imersiva, principalmente para quem trabalha com turismo. Se o agente de viagem não tiver conhecimento do que ele vai vender, se ele não vivenciar aquilo, fica muito mais difícil apresentar o produto ao cliente. É importante esse trabalho que o Sebrae está fazendo”, reforça Mira.

Entre trilhas, fontes naturais e vivências culturais, o município de Água Branca revela um sertão cheio de história, natureza e tradições

Iniciativa piloto no turismo alagoano

A visita técnica, iniciativa piloto do Sebrae Alagoas, teve início com a metodologia de Melhoria da Qualidade do Produto. Essa metodologia visa identificar e preparar modelos de negócios prontos para a comercialização. Inicialmente, foram mapeados e analisados o nível de maturidade de empreendimentos no Sertão e na Zona da Mata, e, com base nessa análise, foram selecionados os serviços considerados aptos a receber a metodologia.

Para os negócios com alta maturidade, o Sebrae desenvolveu um plano de ação detalhado com soluções rápidas, focadas na melhoria da imagem digital, avaliação em plataformas (Google Meu Negócio e Tripadvisor) e formalização, como a obtenção do Cadastur (Certificado do Ministério do Turismo). As empresas que não alcançaram a maturidade para comercialização receberam um plano de apoio do Sebrae para atingir um nível elevado futuramente.

O Famtour realizado nas duas rotas turísticas é a culminância deste trabalho realizado com as empresas. As agências de viagem participantes avaliam cada empreendimento com uma matriz de critérios objetivos, e o feedback define se aceitam comercializar o produto ou recomendam melhorias. O resultado positivo indica que o produto está pronto para o mercado, movimentando a economia e expandindo o potencial de Alagoas como destino turístico.

“O objetivo principal do Sebrae é diversificar a oferta turística, trazer soluções inovadoras e, sobretudo, aproximar novos produtos do Sertão e Zona da Mata do mercado”, destaca Renato Lôbo, consultor do Sebrae à frente da Famtour.

A famtour foi acompanhada pelo consultor Renato Lôbo, que destaca a iniciativa como um passo importante para transformar novas experiências em produtos turísticos comercializáveis.

Terra Viva das Matas – Saberes, Sabores e Culturas

Na Zona da Mata, o turismo ganha novos contornos a partir da conexão entre natureza, cultura e afeto. A rota percorre municípios que transformam histórias locais em experiências vivas, capazes de encantar e, ao mesmo tempo, gerar renda para quem vive ali.

Em Quebrângulo, terra de Graciliano Ramos, a experiência começa em meio à Mata Atlântica regenerada. Na Associação Nordesta, fundada pela suíça Anita Studer, o visitante percorre uma trilha curta, mas carregada de significado, que revela o trabalho de décadas de reflorestamento e preservação ambiental. Entre viveiros de mudas, sementes catalogadas e o plantio de espécies nativas, a vivência conecta o turista ao território de forma prática e consciente, culminando em uma casa de farinha onde tradição e saberes locais seguem vivos. No local, o turista vai ver a farinha sendo feita com o maquinário artesanal rústico, e degustar um beijú quentinho, feito na hora.

Ainda no município, a experiência ganha sabor com os Doces Sabores da Fazenda, onde a produção artesanal transforma frutas da estação, e leite fresco em receitas sem conservantes, como goiabada, bananada e doce de leite. A visita permite acompanhar o processo e degustar produtos que carregam identidade e simplicidade. A fábrica está pronta e expandindo para agregar outros produtos de cafeteria, para que o visitante se acomode e sinta o ar do campo, que passa bem mais devagar por ali.

“Esse tipo de turismo de vivência tem sido um diferencial. A gente não vende só o destino, mas a experiência, o contato com a cultura e com as pessoas. Mesmo sem estrutura completa, é possível construir roteiros e oferecer algo novo, que tem muita aceitação”, destaca Betânia Barros, da MB Turismo.

Em Mar Vermelho, o cenário muda, a temperatura cai, mas o encanto permanece. Na zona rural, a produtora Edvani Souza abre as portas de sua estufa de flores para apresentar o cultivo de gladíolos e a produção artesanal de licores, com destaque para o licor de rosas, receita herdada da mãe. A experiência termina com degustação ao pôr do sol, em um ambiente simples e acolhedor, e rodeado pelo jardim colorido plantado por ela mesma.

A poucos quilômetros dali, a tradição também se revela na produção do queijo Brasulaque, tradicionalmente alagoano, feito artesanalmente por uma família que transformou uma prática doméstica em negócio. Entre histórias, café passado na hora e degustação de queijos e derivados, o visitante encontra um retrato fiel da hospitalidade do interior.

os 93 anos, Mestre Bia mantém viva a tradição do pífano em Viçosa, compartilhando histórias, música e memória da cultura popular alagoana. Foto: Julio Vasconcelos

Em Viçosa, a cultura popular ganha protagonismo. Aos 93 anos, Mestre Bia, Patrimônio Vivo de Alagoas, mantém viva a tradição do pífano em rodas de conversa e apresentações que emocionam pela autenticidade. A experiência convida o visitante a ouvir, aprender e se conectar com uma arte que atravessa gerações. Em uma pequena sala, improvisada na casa do Mestre Bia, que mora com um dos filhos, é possível ver seus instrumentos e pífanos que ele mesmo produziu, bem como a sua história emolduradas em comendas, matéria de jornal impresso e certificado de uma vida, que se mistura com a história de Alagoas e Viçosa. Ainda muito lúcido e bem humorado, Mestre Bia conta e canta sobre sua arte.

Ainda no município, o Apiário Mel das Flores oferece uma vivência inusitada: degustar mel diretamente da colmeia, da abelha brasileira Uruçu, conhecida por seu mel raro, de propriedades medicinais e de alto custo. Os visitantes usam um canudo para degustar a iguaria, em meio ao zumbido das abelhas e colmeias recheadas de mel.

No Apiário Mel das Flores visitantes vivem uma experiência curiosa: degustar mel diretamente da colmeia da abelha usando canudo. Foto: Julio Vasconcelos

Seguindo para Cajueiro, o artesanato transforma vidas e já virou tradição na região. Na Cooperativa Caju Queimado, mulheres produzem peças em cerâmica a partir da argila, em um processo cuidadoso, cheio de técnica e muito orgulho de suas trajetórias, impactadas pela arte. A vivência inclui conhecer o ateliê, entender a produção e participar de uma experiência prática, colocando literalmente a mão na “massa”, nesse caso, argila.

Na cooperativa Cooperativa Caju Queimado, em Cajueiro, mulheres transformam argila em peças de cerâmica que unem tradição, técnica e geração de renda. Foto: Julio Vasconcelos

Já em Capela, tradição e identidade caminham lado a lado. No ateliê de Mestre João das Alagoas, Patrimônio Vivo da cultura de Alagoas, o barro ganha forma em esculturas que retratam o cotidiano nordestino. Os “discípulos” de João produzem as peças a todo vapor, já antecipando que 80% do que está ali, já está vendido. “Para mim é uma grande honra, ver ainda em vida a minha arte ser repassada a esses jovens que darão continuidade a nossa história”, disse o Mestre que nos presenteou com sua presença, durante a visita.

O grupo segue para a Associação de Bordados de Dona Peró, onde mulheres mantêm viva a arte do bordado manual, em tecidos de linho, que dão o tom característico dessa arte, nessa associação, mantida por 22 mulheres e 1 homem. Finalizando a experiência, bem em frente a associação, os visitantes podem degustar o tradicional caldinho de Capela, patrimônio imaterial de Alagoas, que há mais de 50 anos faz parte da cultura local. Criado por Seu Newton Bastos, o caldinho é preparado até hoje pela sua esposa na cozinha rústica do boteco. Para degustar esta preciosidade é preciso chegar cedo, pois às 12h em ponto, seu Newton fecha as portas, sem exceção!

O que se revela na Zona da Mata é um turismo construído a partir de histórias reais, experiências autênticas e conexões humanas. Um convite para descobrir uma Alagoas que vai além do litoral, e que agora começa a se consolidar como produto no mercado turístico. A atuação do Sebrae cria caminhos para que empreendedores locais se tornem protagonistas, ampliando oportunidades e levando ao mercado experiências que refletem a diversidade cultural, natural e produtiva do estado.



Fonte: AMA

LEIA TAMBÉM

ÚLTIMAS NOTÍCIAS