Com o lançamento do trailer da nova série Harry Potter, da HBO, e o início da campanha promocional da nova instalação da franquia, internautas resgataram as polêmicas e controvérsias envolvendo a autora da saga, J.K. Rowling, acusada diversas vezes de transfobia. A produção inédita chega ao streaming no próximo Natal e é baseada nos sete livros da escritora, que também assina a produção executiva.Nos últimos anos, a autora, de 60 anos, dedicou-se a atacar minorias, principalmente pessoas transexuais e travestis. Além de financiar organizações, nas redes sociais, em especial no X (antigo Twitter), ela fez inúmeras postagens se posicionando contra leis que protegem a comunidade queer, brigou com ativistas e até xingou os atores dos filmes originais. Entenda:Rupert Grint, J K Rowling, Daniel Radcliffe e Emma Watson na première de Harry Potter e a Pedra Filosofal em Londres, em 2001William Conran – PA Images/PA Images via Getty ImagesFinanciamento a instituições transfóbicasEm abril de 2025, o jornal britânico The Guardian revelou que Rowling doou 70 mil libras (cerca de R$ 485 mil) à For Women Scotland (FWS), organização sem fins lucrativos que luta contra os direitos de pessoas transexuais no Reino Unido.A instituição foi uma das responsáveis pela criação de uma lei que diz que a definição legal de homem e mulher é baseada no sexo biológico e não na autoidentificação. Quando a diretriz foi promulgada, a inglesa celebrou no Instagram: “Eu amo quando um plano se concretiza”. A frase serviu de legenda para uma foto dela fumando um cigarro e tomando um drink a bordo de um superiate, nas Bahamas.Além disso, a autora, que tem patrimônio estimado em 945 milhões de libras (mais de R$ 4,9 bilhões), criou um fundo privado chamado J.K. Rowling Women’s Fund (JKRWF), com o intuito de, entre outras coisas, ajudar mulheres cisgênero encarceradas a processar o Estado britânico por dividirem celas com mulheres trans.Críticas às leis que protegem a comunidade LGBTQ+Um ano antes, em 2024, passou a valer na Escócia a Lei de Crimes de Ódio e Ordem Pública (de 2021), que criminaliza comportamentos ameaçadores ou abusivos que visem incitar o ódio com base em características como idade, deficiência, religião, orientação sexual, identidade transgênero e variações sexuais. A escritora de Harry Potter fez coro a políticos e ativistas da extrema-direita que criticaram a medida.”As mulheres não ganham proteções adicionais, é claro, mas a conhecida ativista trans Beth Douglas, queridinha dos políticos escoceses proeminentes, enquadra-se numa categoria protegida. Ufa!”, publicou ela, compartilhando ainda diversos crimes cometidos por pessoas transexuais.”Obviamente, as pessoas mencionadas nos tuítes acima não são mulheres, mas homens, cada um deles. Ao aprovar a Lei Escocesa sobre Crimes de Ódio, os legisladores escoceses parecem ter atribuído mais valor aos sentimentos dos homens que realizam a sua ideia de feminilidade, ainda que de forma misógina ou oportunista, do que aos direitos e liberdades das mulheres”, declarou.Leia MaisPublicações preconceituosasA transfobia de J.K. Rowling veio à tona pela primeira vez em 2018, quando ela curtiu um tuíte que dizia que “mulheres trans são homens de vestido”. À época, a porta-voz da autora disse que o like tinha sido um acidente. “Foi um desastre de uma mulher de meia-idade segurando o telefone incorretamente”, disseram os representantes dela, quando questionados pela imprensa.Mas J.K. logo passou a ela mesma postar nas redes sociais, assumindo que aquele era seu posicionamento. “Repita conosco: mulheres trans são mulheres” e “Profissionais de saúde estão preocupados que pessoas jovens com problemas de saúde mental estão sendo empurradas para hormônios e cirurgias que não são do interesse deles” são apenas algumas das publicações feitas por ela.JK RowlingReprodução | InstagramAtivismo contra Imane KhelifÀs vésperas das Olimpíadas de Paris, J.K. se uniu a nomes como Elon Musk para atacar a boxeadora argelina Imane Khelif, campeã na categoria meio-médio feminino. Sem evidências, a escritora alegou que a atleta era “secretamente um homem”. Khelif então abriu na Justiça francesa um processo de assédio moral coordenado contra a escritora, o bilionário e outras figuras públicas.Lançamento de Sangue PerturbadoEm 2020, Rowling publicou o livro Sangue Perturbado, sob o pseudônimo Robert Galbraith. A trama gira em torno de um serial killer que se veste de mulher. A obra foi considerada transfóbica por críticos e ativistas da comunidade. Ela, então, se defendeu dizendo que o texto “é vagamente inspirado em assassinos reais”.Dois anos depois, J.K. lançou O Coração de Nanquim, livro que conta a história de Edie Ledwell, co-criadora de um desenho animado acusada de transfobia. A trama fala de cancelamento na internet e sugere que a protagonista foi, na verdade, vítima de uma campanha de ódio contra ela.Briga com atores de Harry PotterEm meio a tantas polêmicas, atores dos filmes da saga se posicionaram publicamente contra a autora, que respondeu. “Aqueles horrorizados com minha posição frequentemente falham em compreender o quão verdadeiramente desprezível eu acho a deles. Tenho visto ‘nenhum debate’ se tornar o slogan daqueles que antes se apresentavam como defensores da liberdade de expressão”, disse ela ao Times sobre Daniel Radcliffe (Harry Potter) e Emma Watson (Hermione Grange).Posteriormente, ela ainda tuitou sobre críticas feitas por Watson e disse que a atriz “tem tão pouca experiência sobre a vida real que é ignorante sobre o quão ignorante ela é”. Rupert Grint (Ronald Weasley), Eddie Redmayne (da saga Animais Fantásticos e Onde Habitam) também refutaram publicamente as falas de J.K.Daniel Radcliffe, J.K. Rowling, Emma Watson e Rupert Grint na premiére de ‘Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2’GettyBriga com Nadia WhittomeEm 2024, a congressista Nadia Whittome, membro da Câmara dos Comuns (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil), afirmou em entrevista que Rowling financia movimentos anti-trans e criticou o Congresso por não reagir. Posteriormente, as duas protagonizaram brigas nas redes sociais. Esse não foi o primeiro embate político da autora, que já ‘tretou’ com diversos outros parlamentares.Resposta da HBOCom a repercussão das controvérsias da escritora em meio à produção da nova série, executivos da HBO responderam publicamente questionamentos sobre a autora. “Temos orgulho de contar mais uma vez a história de Harry Potter — os livros comoventes que falam do poder da amizade, da determinação e da aceitação”, disse a emissora em comunicado.”A decisão de fazer negócios com J.K. Rowling não é novidade para nós. Estamos no mercado há 25 anos. Já temos um programa dela na HBO chamado CB Strike, que fazemos com a BBC. É bem claro que essas são as visões políticas pessoais dela. Ela tem direito a elas. Harry Potter não está sendo secretamente infundido com nada. E se você quiser debater com ela, pode ir ao Twitter”, afirmou Casey Bloys, diretor de conteúdo da emissora, ao podcast The Town (via Variety).J.K. RowlingGetty
Fonte: TV Alagoas



