quarta-feira, 26 fevereiro 2025

Bloco Rock Maracatu arrasta milhares de foliões e celebra 5 anos de existência

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Bloco Rock Maracatu arrasta milhares de foliões e celebra 5 anos de existência

Com um repertório eclético, que vai do rock à MPB, passando pelo reggae e pop, a multidão dançou e pulou sem parar.

Fernanda Guimarães. FOTO: divulgação

Transbordando música, cultura, respeito e diversidade, o bloco Rasgando o Couro Rock Maracatu arrastou milhares de foliões nas orlas da Ponta Verde e Pajuçara no último domingo (23). O desfile nas prévias carnavalescas, em comemoração aos 5 anos de bloco, recebeu como convidados especiais Luiz de Assis, Jurandir Bozo, Chau do Pife, Dryka Dantas e a cantora Juliana Linhares, que deram um brilho a mais a celebração.

Na concentração, quem comandou a música foi a DJ Sol, com um setlist incrível que não deixou ninguém parado. Em seguida, o bloco saiu em desfile até o final da orla da Pajuçara, conduzido por Fernanda Guimarães acompanhada por cerca de 60 batuqueiros e músicos de harmonia. 

Mesmo sob o sol intenso, ninguém ficou parado! Com um repertório eclético, que vai do rock à MPB, passando pelo reggae e pop, a multidão dançou e pulou sem parar. Mas foi com as músicas autorais da banda que o público cantou a plenos pulmões.

Miguel Lages, de apenas 5 anos, não perde um desfile do bloco! Acompanhado pelos pais, que também adoram o projeto, o fã-mirim de carteirinha já sabe todas as músicas autorais. “Eu e meu pai temos a playlist do Rock Maracatu e eu canto todas. E no desfile botaram pra quebrar, vai Rock Maracatu”, gritou animado.

A produtora cultural Sal Bernardes acompanha o bloco desde o primeiro desfile. “Foi maravilhoso, a energia deste ano estava surreal, desde a Dj no início até o final, estava tudo incrível”, contou.

A foliã Natália Bida contou que “atingiu muito mais que as expectativas”. “Foi fantástico, sensacional, essa mistura de rock com o maracatu é mágica”, concluiu.

Conscientização na avenida

Mais que um simples bloco de Carnaval, o RCRM, ao longo de sua trajetória, sempre se preocupou em levar, não apenas música e alegria para as pessoas, mas também mensagens de conscientização e respeito. 

“Acreditamos que o Rock Maracatu também precisa fazer a diferença em nossa sociedade, por isso, a cada ano um tema é escolhido para que essa mensagem seja espalhada e não permaneça apenas na avenida, mas na vida de todos os nossos foliões”, afirmou a vocalista e fundadora do Rock Maracatu, Fernanda Guimarães.

O tema escolhido para 2025 foi “Transborda em Meu Maracatu”, levando uma forte mensagem sobre a preservação da água, com ênfase também no Rio São Francisco, que vem sofrendo com com uma redução drástica em sua vazão.

De acordo com um estudo publicado pela revista internacional Water, da Inglaterra, o Velho Chico está secando. A pesquisa, coordenada pelos professores Humberto Barbosa e Catarina Buriti, alerta que a vazão diminuiu 60%, em média, nos últimos 30 anos.

Durante o percurso, os foliões receberam ventarolas e panfletos com dicas e informações importantes de como fazer a sua parte no dia a dia. Iniciativa aprovada pela foliã Mari Figueiredo, que com apenas 15 anos de idade já entende a importância da mensagem. 

“Eu achei muito interessante o tema deste ano, eu já estudei na escola sobre isso e entendo a importância deste assunto ser propagado. Algumas dicas do panfleto eu busco praticar na minha rotina, como fechar a torneira ao escovar os dentes e diminuir o tempo de banho”, contou ela. 

Já para a arquiteta Adriana Esequiel, “o Rock Maracatu é movimento de resistência importantíssimo pro nosso estado, que se destaca de várias maneiras e que passa mensagens importantíssimas, como a da preservação da água. Uma manifestação linda do povo de Alagoas!”.

Ala da inclusão

Com o respeito à diversidade e à inclusão como um de seus pilares, o RCRM promove, todos os anos, a Ala da Inclusão, um espaço destinado para que pessoas com deficiência possam acompanhar o bloco com segurança, contando também com apoio especializado e tradutores de Libras durante todo o percurso. 

Essa iniciativa é uma parceria com a empresa Permear Acessibilidade e Arte, coordenada por Bárbara Lustoza. Neste ano, uma equipe de cinco pessoas, entre intérpretes de Libras e apoio bilíngue, estiveram no bloco.

“A inclusão no bloco Rock Maracatu não se resume apenas à participação de pessoas com deficiência em um evento cultural – ela vai muito além. Ao fortalecer a identidade cultural alagoana, o projeto não só atrai o público em geral, mas também oferece às pessoas com deficiência a oportunidade de se reconectar com nossas raízes, por meio de mestres como Chau do Pife e Jurandir Bozo, participações especiais deste ano. É uma mensagem inspiradora, que demonstra que aqui há espaço para todos os corpos e existências, em perfeita harmonia e equidade”, celebrou a coordenadora de acessibilidade, Bárbara Lustoza.

A iniciativa chama a atenção de todos, inclusive daqueles que não possuem deficiência, que também reconhecem e celebram a importância do projeto. É o caso da jornalista Géssika Costa, que participou do bloco pelo terceiro ano consecutivo.  

“O mais incrível do Rock Maracatu é que ele sempre surpreende com uma festa linda, uma energia surreal e uma diversidade que faz toda a diferença. É emocionante ver pessoas no espectro autista, com deficiência física, surdas, todas ali, compartilhando a alegria. O espaço é de todas, todes e todos, como deve ser. O Rock Maracatu sempre proporciona experiências inesquecíveis. Viva a pluralidade e a cultura!”, destacou.

Ninguém larga a mão de ninguém

Com base na união, companheirismo e amizade, os cerca de 60 integrantes que formam o Coletivo Rock Maracatu cuidam uns dos outros. E não foi diferente quando a Amanda Lorena, batuqueira do grupo, sofreu um acidente que a fez fraturar o pé e ficar impossibilitada de ir tocar no desfile do bloco.

Ela contou que sua namorada, Gabriela Fuschini, também integrante do grupo, se uniu a duas amigas para garantir que ela pudesse participar, seguindo todas as recomendações médicas.  

“As meninas conseguiram uma cadeira de rodas adaptada, com suporte para a perna e ajustes para que eu pudesse sair com conforto e segurança. Também recebi total apoio da Fernanda Guimarães e da Karla Waleska, da diretoria do bloco, que acreditaram que daria certo e estiveram ao meu lado o tempo todo”, relatou Amanda.

“A Fernanda e a Karla sugeriram várias alternativas, até mesmo que eu fosse no carro, mas isso não seria possível, pois eu não poderia ficar tanto tempo com o pé para baixo. Elas, junto com todo o grupo, foram essenciais para que eu decidisse tentar e conseguisse desfilar. Também recebi apoio de muitos amigos e familiares, todo mundo se mobilizou para fazer dar certo”, contou.  

“Foi emocionante, mais uma vez, viver a potência desse bloco na avenida. O maracatu, em Alagoas, é resistência, é cultura pulsante! Levar um bloco que tem o maracatu como base para as prévias carnavalescas de Maceió é algo simbólico, especialmente na terra do Quebra de Xangô. Estou no Rock Maracatu desde 2019, e não poderia ficar de fora desse momento… São cinco anos de bloco!”, finalizou.

O projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, através do Ministério da Cultura (Minc), operacionalizado pelo Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult).

FONTE: Assessoria

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Fonte: Portal Acta

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