SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O cacique Raoni Metuktire voltou para a UTI (unidade de tratamento intensivo) do Hospital São Paulo, segundo boletim médico divulgado nesta quarta-feira (1º). Ele apresentou nesta semana um quadro de hemorragia digestiva e foi submetido a endoscopia.
O líder kayapó teve sangramento no estômago e no duodeno (primeira e mais curta porção do intestino delgado), mas teve seu quadro de saúde estabilizado. A transferência de setor seria para melhor monitorização, afirma o hospital.
“Foi identificado pneumotórax [acúmulo de ar] no pulmão direito, drenado sem intercorrências. Está consciente, respondendo a comandos, estável, respirando em ar ambiente e evoluindo afebril”, diz trecho do comunicado.
Raoni tinha deixado a UTI no último dia 23 após ser submetido a uma cirurgia de desobstrução intestinal, que ocorreu sem complicações. Ele segue em observação no hospital da capital paulista, onde está internado desde o dia 19 deste mês.
O cacique foi transferido de Sinop, em Mato Grosso, para dar continuidade ao tratamento de saúde e ao acompanhamento cirúrgico de seu quadro clínico.
A transferência para São Paulo foi definida após avaliação conjunta das equipes médicas responsáveis pelo caso, segundo o Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, onde o líder estava em Sinop. O transporte foi realizado em uma aeronave disponibilizada pelo Governo de Mato Grosso.
Raoni estava internado em Sinop desde o último dia 14, após ser diagnosticado com sepse pulmonar associada a uma pneumonia broncoaspirativa. Ele havia apresentado sintomas um dia antes, quando registrou episódios de vômito em sua residência, na região de Peixoto de Azevedo (MT).
Na capital paulista, o acompanhamento é conduzido pelo cirurgião Franz
Robert Apodaca Torrez, professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.
Nova internação em menos de um mês
A nova internação ocorreu menos de um mês após Raoni receber alta do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros. Em maio, ele foi hospitalizado após apresentar mal-estar clínico e complicações respiratórias e gastrointestinais.
Antes disso, também havia passado cinco dias internado para tratar dores abdominais associadas a uma hérnia.
A equipe médica informou, à época, que o líder indígena possui comorbidades, entre elas DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), insuficiência cardíaca, uso de marcapasso cardíaco e hérnia diafragmática.
Desde 2020, Raoni já passou por seis internações no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros. A relação com a unidade foi construída a partir das Expedições UFMT-Xingu, projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso em parceria com o hospital, que leva atendimento especializado às aldeias da Terra Indígena Capoto/Jarina.
QUEM É RAONI
Reconhecido internacionalmente pela defesa da Amazônia e dos povos indígenas, Raoni ganhou notoriedade nos anos 1970 ao se posicionar contra a construção da rodovia Transamazônica durante a ditadura militar (1964-1985).
Em 1989, após conhecer o músico britânico Sting, iniciou uma série de viagens internacionais e se consolidou como uma das vozes mais conhecidas em defesa da floresta amazônica e dos direitos indígenas.
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Fonte: Notícias ao Minuto



