(FOLHAPRESS) – Após iniciar 2026 com o pé esquerdo, com um vazamento durante a perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas, o governo Lula tem uma boa notícia na área ambiental: o desmatamento caiu nos dois maiores biomas do país no ano passado.
Em 2025, a área sob alerta de desmatamento na amazônia foi de 3.817 km², redução de 8,7% na comparação com 2024. No cerrado, o índice foi de 5.369 km², queda de 9% em relação ao ano anterior.
Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e foram divulgados nesta sexta-feira (9).
O Deter mapeia e emite alertas de desmate com o objetivo de orientar ações do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e outros órgãos de fiscalização. Os resultados representam um alerta precoce, mas não são o dado fechado do desmatamento.
Os números oficiais são de outro sistema do Inpe, o Prodes, que são mais precisos e divulgados anualmente.
Este foi o segundo ano consecutivo em que houve queda no desmate em ambas as regiões. Ainda assim, o estrago foi grande: somando os dois biomas, o total de vegetação perdida no ano passado foi de 9.186 km² -o equivalente a seis vezes a área da cidade de São Paulo.
O ritmo de queda nas áreas sob alerta de desmate na floresta amazônica vem desacelerando. Partindo de patamares altíssimos -de mais de 10 mil km² em 2022- deixados pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2023 o índice caiu pela metade. Já em 2024, a redução foi de 19%.
Procurado, o MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) afirma, em nota, que a desaceleração observada em parte de 2024 está associada à seca extrema, que elevou os índices de degradação florestal, especialmente em razão dos incêndios florestais. “Ainda assim, a tendência de queda do desmatamento foi mantida”, diz a pasta.
“A partir de agosto de 2025, início de um novo ciclo de monitoramento, os alertas do Deter ficaram abaixo dos registrados no mesmo período do ano anterior, indicando a continuidade da redução. Esse resultado reflete a ampliação contínua, pelo governo do Brasil, das ações de prevenção e combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, com atuação interministerial e de órgãos federais”.
Mato Grosso respondeu por quase metade da área desmatada na amazônia, 1.497 km². Terceiro maior índice da série histórica, iniciada em 2015, o valor representa um aumento de quase 60% em relação a 2024.
Pará (979 km²) e Amazonas (721 km²) também se destacam na região. Apesar do patamar alto, porém, ambos tiveram melhoras nos números, com redução de 36% e 9% do desmatamento, respectivamente.
No cerrado, Maranhão (1.190 km²), Tocantins (1.133 km²) e Piauí (1.005 km²) lideram o ranking do desmate, com um cenário parecido entre si. Em seguida vem a Bahia, com 703 km² de vegetação perdida.
Os quatro estados compõem a região chamada de Matopiba, que abriga, simultaneamente, uma fronteira do agronegócio e a porção mais preservada do bioma.
Pelo terceiro ano seguido, a área desmatada no cerrado (que ocupa aproximadamente 24% do território brasileiro) é maior do que na amazônia (que cobre cerca de metade do Brasil).
O MMA ressalta que as dinâmicas do desmatamento nas duas regiões são distintas.
Ao contrário da amazônia, no cerrado o desmate ocorre principalmente em propriedades privadas. Um dos motivos para isso é que, segundo o Código Florestal, no bioma é possível desmatar até 80% da área deste tipo de imóvel (ou até 65% em alguns locais, quando estão em regiões de transição para a floresta amazônica). Na amazônia, o limite é de 20%.
“Nesse contexto, o governo do Brasil intensificou o diálogo com os estados do Matopiba, promovendo cooperação técnica, aprimoramento dos processos de autorização de desmatamento e fortalecimento do monitoramento e da fiscalização, com reflexos já perceptíveis em reduções e maior rigor nos controles estaduais”, afirma a pasta, em nota.
O índice de desmate na amazônia em 2025 foi o menor em oito anos, enquanto no cerrado, os 5.369 km² perdidos constituem a taxa mais baixa desde 2021.
Fonte: Notícias ao Minuto



