Dia Nacional do Artesão: Alagoas celebra protagonismo feminino, visibilidade internacional e novos avanços
Com mais de 18 mil profissionais formalizados, sendo 80% mulheres, artesanato alagoano amplia presença no Brasil e no exterior, investe em vendas digitais e avança com fundo inédito de fomento
Técnicas são passadas de geração em geração
Graça Carvalho/ Ascom Serfi
O Dia Nacional do Artesão, celebrado nesta quinta-feira (19), tem sabor de conquista para todos os que fazem o artesanato alagoano, em especial para as quase 15 mil mulheres artesãs, que representam 80% dos mais de 18 mil artesãos formalizados no estado e desempenham papel fundamental na preservação de técnicas tradicionais, além de geração de renda para milhares de famílias.
Os números desse protagonismo feminino são do cadastro do Programa Brasileiro do Artesanato (PAB), que é executado no estado pelo Programa Alagoas Feita à Mão, gerido pela Secretaria de Estado de Relações Federativas e Internacionais (Serfi).
Com técnicas transmitidas de geração em geração, o artesanato alagoano reúne produções em madeira, cerâmica, fibras naturais, bordados e rendas tradicionais, como a renda filé, patrimônio imaterial de Alagoas e símbolo cultural das comunidades à beira das lagoas Mundaú e Manguaba.
As artesãs Lindinalva Camargos, Cícera Rosa, Vera Lúcia Ribeiro, Maria Cavalcante, Maria José dos Santos e Josinete Domigos, da Cooperativa dos Artesãos da Barra Nova (Coorperartban) fazem parte desse universo de mulheres artesãs. À beira da Lagoa Manguaba, na Barra Nova, povoado litorâneo do município de Marechal Deodoro, elas vão tecendo, fio a fio, seu destino e deixando um legado às novas gerações.

“Nossa cooperativa tem 21 anos. Inicialmente, era mista. Hoje, reúne apenas mulheres. Avançamos muito e já temos até uma sede. Nós criamos uma escala de trabalho, vendemos tudo o que é produzido aqui na cooperativa e também exportamos. A nossa base é o filé, mas temos também o tenerife, o macramê e outros produtos”, relata Lindinalva, que preside a Coorperartban.

Muitas dessas mulheres herdaram o gosto pelo artesanato de suas mães ou avós, mas algumas começaram mais tarde, como é o caso de Vera Lúcia. “O artesanato entrou na minha vida depois de um tempo e me ajuda a passar por muitos obstáculos que todas as mulheres passam”, resume.
Os resultados da dedicação ao trabalho na cooperativa são percebidos de forma muito singular por cada integrante. “Eu hoje sou mãe, vó, bisavó, dona de casa, artesã. Gosto muito de fazer o filé. Faço com muito prazer”, destaca Vera Lúcia. “Sou mulher e sou artesã”, repetem, com orgulho, Josinete e Cícera Rosa.
Já Maria Cavalcante fez questão de ressaltar a conquista da independência. “Eu me tornei uma mulher independente depois do artesanato. Foi a partir do artesanato que comecei a ganhar meu próprio dinheiro, a comprar as minhas coisas e ajudar em casa”, relata Maria.
Para elas, trabalhar em grupo ajuda a passar o tempo e mexe com a autoestima. “Trabalhamos juntas, nos ajudamos, e assim vamos levando a vida”, completa Maria José.
Juntas, elas também investem na capacitação para fortalecer a cooperativa. A presidente Lindinalva foi uma das centenas de artesãs que participaram, em Maceió e Palmeira, dos Índios, de treinamento recente promovido pelo Governo de Alagoas, por meio do Alagoas Feita à Mão, em parceria com a plataforma Shopee.
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“Só temos a agradecer o trabalho que o Alagoas Feita à Mão tem realizado e, em especial, ao governador Paulo Dantas pela ideia de criar o Fundo do Artesanato Alagoas (FFAL), que vai nos fortalecer ainda mais, porque precisamos escoar nossa produção”, reconhece a presidente da Cooperartban.
Para a artesã Adriana Gomes, do Pontal da Barra, em Maceió, o investimento do Governo de Alagoas no fortalecimento do artesanato é significativo, sobretudo, para as mulheres artesãs. “O bordado de filé vem de geração em geração na minha família. Então, para eu manter essa arte é muito difícil, mas, hoje , a gente tem o Alagoas Feita à Mão, que vem beneficiando vários artesãos, vários grupos produtivos, levando nossa cultura a outros estados. Eu me sinto honrada pelo fato de o Governo de Alagoas ter esse olhar para nosso artesanato”, ressaltou Adriana.
Resultados e perspectivas
Em 2025, as ações do Alagoas Feita à Mão se reverteram em R$ 1,1 milhão em vendas diretas, com destaque para a Fenearte, que superou R$ 568 mil; a Fenacce, em Fortaleza, com R$ 347 mil; e a Feira Nacional de Artesanato, em Belo Horizonte, que registrou R$ 193 mil. O Festival Alagoas Feita à Mão, realizado em Maceió, também gerou mais de R$ 50 mil em comercialização, evidenciando o impacto concreto da iniciativa no fortalecimento da economia criativa e do setor artesanal de Alagoas.
No cenário internacional, o estado alcançou um novo patamar ao integrar, por exemplo, a Paris Design Week 2025, com a exposição “CABOCO + Alagoas Feita à Mão”, que, além de celebrar os dez anos do Alagoas Feita à Mão, apresentou ao público europeu a identidade, a estética e a força simbólica do artesanato alagoano.
De acordo com o secretário de Estado Júlio Cezar (Serfi), assim como aconteceu em 2025, artesãs e artesãos, selecionados no edital do PAB, vão ter oportunidade de escoar sua produção em uma série de feiras ao longo de 2026, a exemplo do Salão do Artesanato (Brasília e São Paulo), Fenearte (Recife), Fenacce (Fortaleza) e Arpoarte (Rio de Janeiro).
Para ele, com a tão aguardada criação do Fundo de Fomento ao Artesanato Alagoano, que nasce vinculado à Serfi, vai fortalecer, ainda mais, as ações do Programa Alagoas Feita à Mão, como instrumento permanente de apoio e financiamento à cadeia produtiva do setor.
“O trabalho é intenso, mas contamos com o apoio irrestrito do governador Paulo Dantas e da secretária de Estado Paula Dantas (Seplag), que se empenha, pessoalmente, nessa missão de levar o artesanato alagoano aos quatro cantos do mundo”, destacou o gestor da Serfi, que tem na sua equipe duas mulheres à frente das políticas do artesanato, a secretária executiva do Alagoas Feita à Mão, Júlia Caroá, e a gerente de gerente de Design e Artesanato do programa, Anne Ferreira, coordenadora do PAB em Alagoas.
Fonte: AMA



