O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do Paraná, Ratinho Júnior, por limitarem seus discursos à preocupação com os impactos econômicos das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos, sem mencionar a necessidade de anistia aos “presos políticos”, termo que ele usa para se referir a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Eduardo, quem se preocupa somente com o “tarifa‑Moraes” está ignorando a carta de Trump, que considera um instrumento explícito de solução política ao vincular as punições tarifárias ao tratamento dado ao seu pai e aliados.
Sem citar diretamente Tarcísio, Eduardo escreveu que “desconfie de quem se mostra preocupado com a tarifa‑Moraes e não fala dos presos políticos ou crise institucional”. A crítica se dirige às declarações do governador feitas durante um evento da XP Investimentos, no qual Tarcísio alertou sobre o risco de perda de até 120 mil empregos e impacto negativo de até 2,7% no PIB de São Paulo, caso a sobretaxa entre em vigor. Durante o mesmo evento, Ratinho Jr. afirmou que “Bolsonaro não é mais importante que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos”, tema que Eduardo rebateu com contundência.
O deputado não se manifestou diretamente em relação às negociações, mas avaliou que ignorar o que ele considera fatos — como cartas de Trump citando Bolsonaro — apenas prolongará o sofrimento dos eleitores que dizem defender. Eduardo mobiliza esse discurso como parte de sua estratégia política, repetindo críticas recorrentes à postura de Tarcísio desde antes, e questionando o alinhamento do governador paulista com interesses considerados por ele externos ao alinhamento ideológico do bolsonarismo.
Esse episódio se soma às tensões internas no campo político conservador, diante do avanço das tarifas americanas e da ausência de menção oficial sobre soluções políticas para apoiar aliados bolsonaristas em meio à crise diplomática com os EUA.



