A crise política que envolve o governo argentino ganhou novos contornos após o vazamento de áudios que colocam Karina Milei, irmã e braço direito do presidente Javier Milei, no centro de um suposto esquema de corrupção. Secretária-geral da Presidência, Karina é acusada de participar de uma rede de propinas ligada à compra de medicamentos para a rede pública.
As denúncias partiram de Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis), que afirma ter sido pressionado por Karina e pelo subsecretário Eduardo “Lule” Menem a cobrar até 8% de comissão sobre contratos com indústrias farmacêuticas. Segundo ele, Karina ficaria com até 4% do valor arrecadado, o que poderia render cerca de US$ 800 mil mensais.
O caso veio à tona após o vazamento dos áudios no dia 20 de agosto. Desde então, a Justiça argentina realizou buscas na sede da Andis e na empresa Suizo Argentina, envolvida nas negociações. Foram apreendidos celulares, máquinas de contar dinheiro e US$ 266 mil em espécie. Jonathan Kovalivker, um dos empresários citados, está foragido.
Spagnuolo, que era considerado próximo ao presidente, foi demitido no dia seguinte ao vazamento. Ele é um dos cinco réus no processo que investiga corrupção, administração fraudulenta e violação à ética pública. O juiz federal Sebastián Casanello proibiu a saída dos envolvidos do país como medida cautelar.
Javier Milei ainda não se pronunciou diretamente sobre o caso, mas apareceu ao lado da irmã em evento público após as denúncias. O governo fala em perseguição política, enquanto o Congresso avalia abrir uma CPI para investigar o escândalo. A crise ocorre às vésperas das eleições legislativas e pode comprometer a governabilidade e o discurso anticorrupção que levou Milei ao poder.



