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Mulher descobre em cadastro que é ‘presidente da República’ há 24 anos



SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Uma técnica de enfermagem descobriu que seu nome consta, há mais de 20 anos, como “presidente da República” ao procurar emprego na Agência do Trabalhador de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife.

Registro indica um vínculo aberto há 24 anos e 2 meses e aponta salário inicial de R$ 201,60. A informação apareceu no atendimento na agência, e a trabalhadora disse que o atendente alertou para possíveis impactos no futuro.

Aldenize Ferreira da Silva ficou surpresa ao saber o que constava na sua documentação. “Eu fiquei chocada, sem entender, eu desempregada, sem renda. Arregalei o olho pra ele [o atendente], levantei da cadeira e pulei na tela do computador para ver. Tirei uma foto desse documento”, disse a mulher em entrevista à TV Globo.

Vínculo aparece associado à Prefeitura de Jaboatão, onde ela diz ter trabalhado como merendeira entre 2000 e 2002. Segundo o registro, a última remuneração foi de R$ 15,42, em dezembro de 2002.

A mulher desconfia que o problema pode estar travando a busca por emprego desde que se formou como técnica de enfermagem, em 2023. “Faço meus bicos, sou cuidadora, o que me chamar eu estou disponível para fazer”, afirmou à reportagem.

Prefeitura de Jaboatão afirmou que erro ocorreu na migração de dados de dois sistemas diferentes. Em nota, a gestão explicou que a Secretaria de Administração identificou a origem do problema: trata-se de um erro decorrente da transição do antigo sistema SEFI.

Segundo a gestão municipal, durante a transição houve o registro incorreto de servidores ocupantes de cargos comissionados genéricos como “presidente da República” em algumas bases de dados.

Conforme a administração, não é possível informar quantas pessoas podem ter sido afetadas porque o sistema não está sob gestão direta da prefeitura.

O Ministério do Trabalho e Emprego foi questionado por e-mail na tarde desta terça-feira (19), mas não respondeu até a publicação deste texto.

Os documentos apontam remuneração inicial de R$ 201,60 e última remuneração registrada de R$ 15,42, em dezembro de 2002. O cargo informado é “1112-05 — presidente da República”. Em uma das telas apresentadas por Aldenize, o sistema informa experiência profissional de “24A 2M”.

Ela disse ter descoberto o registro ao procurar uma vaga de emprego na Agência do Trabalhador de Jaboatão.

“Quando o atendente colocou meu CPF no sistema, perguntou como eu estava procurando emprego se já tinha um vínculo havia 24 anos. Foi ali que eu soube do registro”, afirmou.

Segundo Aldenize, o funcionário permitiu que ela fotografasse a tela do computador e recomendou que buscasse orientação jurídica e procurasse a imprensa.

“Ele me disse que eu poderia estar sendo prejudicada havia muito tempo e que isso poderia afetar até minha aposentadoria”, relatou.

A técnica de enfermagem afirmou que trabalhou em 2002 em uma escola da rede municipal, em um contrato temporário como merendeira por cerca de dois anos. Segundo ela, o vínculo nunca foi registrado na carteira física de trabalho.

“Na época, procurei a prefeitura para saber se precisava fazer algum procedimento de baixa, e fui informada de que isso seria resolvido pelo próprio município”, disse.

Ela afirmou não acreditar que o caso tenha sido causado apenas por erro de digitação e disse suspeitar de uso indevido de seus dados ao longo dos anos.

“Passei esse tempo inteiro desempregada em vários períodos, procurando trabalho, e agora descubro um vínculo ativo de mais de duas décadas no meu nome”, afirmou.

A prefeitura informou ainda que os ex-servidores afetados devem procurar a Unidade de Gestão de Pessoas (UGEP), de 8h a 17h, de segunda a sexta-feira, para solicitar esclarecimentos e correções cadastrais.

A gestão também afirmou que a inconsistência não possui relação específica com a área da educação ou qualquer outra secretaria municipal e disse que casos semelhantes foram identificados em outras instituições públicas.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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