(UOL/FOLHAPRESS) – A Fórmula 1 estreou no último final de semana, em Miami, um pacote de mudanças que visava equilibrar melhor o papel da energia elétrica nas disputas. A corrida agradou muito mais os torcedores e Toto Wolff chegou a dizer que quem não gostou “deveria se esconder”. Os pilotos, contudo, não sentiram grande diferença, e sabem que a ‘trégua’ veio muito mais pelas características da pista do que pelas novidades.
É um pequeno passo na direção certa, mas ainda não está no nível em que a Fórmula 1 deveria estar. Na classificação, se você acelerar ao máximo o tempo todo e tentar forçar como nos anos anteriores, você ainda será penalizado por isso.
Você ainda não pode acelerar ao máximo o tempo todo. Não se trata de acelerar tão cedo o tempo todo. Você nunca deveria ser penalizado por esse tipo de coisa, e ainda é.
Então, honestamente, não acho que isso possa ser resolvido. É algo que só serve para reduzir a duração da bateria. Espero que em alguns anos isso mude.Lando Norris, da McLaren
Maior crítico do regulamento de 2026, em que estreou um motor com cerca de metade da potência vinda da parte elétrica, que por sua vez precisa ser constantemente recarregada, pois a opção foi por usar uma bateria menor e mais leve, Max Verstappen disse que o carro agora “está menos estressante de pilotar”, mas isso tem mais a ver com a melhora da Red Bull do que com as mudanças que foram feitas.
Meu carro está um pouco melhor, mas o que eu disse antes sobre o regulamento continua o mesmo. Não senti que estava pilotando de uma maneira diferente. Ou seja, você ainda precisa ir um pouco mais devagar em alguns trechos para ir mais rápido, então ainda não é como eu gostaria. Não é assim que deveria ser. Pelo menos meu carro está funcionando um pouco melhor, então é um pouco menos estressante de pilotar.Max Verstappen, da Red Bull
Oscar Piastri alertou que um dos problemas que as mudanças de Miami visava remediar ainda continua existindo: as grandes diferenças de velocidade entre pilotos que estão usando táticas diferentes de energia, como por exemplo quando um piloto está recuperando e o outro está descarregando toda a energia, tendo direito ao modo ultrapassagem.
Acho que reduzir o limite de recuperação na classificação ajudou um pouco. As corridas são basicamente exatamente as mesmas. E é bem louco, para ser honesto. Em um momento, eu vi que o George [Russell] estava 1s atrás de mim e conseguiu me ultrapassar no final da reta. E é meio aleatório.
As velocidades de aproximação são enormes. E tentar antecipar isso como piloto na defesa é incrivelmente difícil. Eu não fiquei muito satisfeito com uma das manobras que o George fez, mas acabei fazendo quase a mesma manobra umas cinco voltas depois, justamente porque a velocidade de aproximação é enorme.
Acho que a colaboração entre a FIA e a F1 tem sido boa, mas há um limite para o que podemos mudar com o hardware que temos.Oscar Piastri, da McLaren
De fato, como apontou Piastri, há um limite do que pode ser feito daqui para frente. As mudanças de Miami focaram no software do motor, algo que pode ser alterado facilmente. É possível ir mais a fundo nas mudanças, mas elas vão interferir negativamente na velocidade dos carros. Paralelamente a isso, a F1 estuda aumentar o fluxo de combustível (o que alguns acreditam msó ser possível para 2028) e reduzir a pressão aerodinâmica gerada pelo carro (para 2027).
Ao mesmo tempo, nem todos concordam que é preciso mudar radicalmente o regulamento. Charles Leclerc tem gostado das novas disputas, pautadas pelo gerenciamento de energia, desde o começo.
Sei que sou um pouco diferente dos outros no grid, mas sinto que, pelo menos nas disputas que tive com os caras da frente, quando você tem carros que possuem um sistema e o utilizam de forma semelhante ao seu, as ultrapassagens são realmente muito boas. É um pouco mais estratégico do que no ano passado, mas no ano passado também era estratégico com o DRS, então não acho que tenha mudado significativamente.
Certamente, a classificação é onde há o maior foco [de mudanças] e é correto que seja assim.Charles Leclerc, da Ferrari
Com uma longa zona de aceleração plena, o palco da próxima corrida, no Canadá, certamente terá motores perdendo velocidade antes do final da volta, sem energia suficiente.
Fonte: Notícias ao Minuto



