O governo federal deve anunciar nos próximos dias um pacote emergencial de medidas para mitigar os impactos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A decisão do presidente americano, Donald Trump, atinge setores estratégicos da indústria nacional, e o objetivo do plano é preservar empregos, proteger exportadores e evitar maiores prejuízos à economia.
De acordo com fontes da equipe econômica, o plano já está estruturado e poderá ser executado em até 48 horas após a assinatura de um decreto presidencial ou de uma medida provisória.
Ações emergenciais e crédito extraordinário
Entre as principais medidas está a liberação de crédito extraordinário, fora do teto fiscal, para garantir socorro financeiro imediato a empresas afetadas. Técnicos do governo avaliam que parte dos recursos poderá ser usada sem comprometer a meta de equilíbrio primário, já que se trata de uma situação excepcional de política comercial.
O pacote inclui ainda a reformulação de programas de apoio à exportação, criação de linhas de financiamento para reorientar a produção a novos mercados e estímulos à absorção interna de produtos com excesso de oferta.
Setores pressionam por resposta rápida
Entidades empresariais já cobram respostas práticas. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que o setor possa perder até US$ 1 bilhão nos próximos seis meses, principalmente com a redução das compras americanas. A associação também solicita ajuda para redirecionar a produção a outros países, além de campanhas para incentivar o consumo interno.
O setor têxtil e de alimentos industrializados também espera medidas compensatórias, como subsídios temporários, facilitação de crédito e incentivos fiscais para manter o nível de produção e evitar demissões.
Diplomacia sem avanços
A área diplomática brasileira, liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin nas negociações, ainda não obteve avanços com o governo norte-americano. Uma contraproposta encaminhada em maio permanece sem resposta formal, e fontes do Itamaraty reconhecem que não há, no curto prazo, sinal de abertura por parte da Casa Branca.
A tarifa, anunciada oficialmente na última terça-feira (30), entra em vigor no dia 6 de agosto. Embora alguns produtos tenham sido poupados — como suco de laranja, petróleo, celulose e aeronaves —, grande parte das exportações brasileiras será diretamente impactada.
Riscos para o crescimento
A elevação tarifária ocorre em um momento de recuperação econômica no Brasil. Estimativas preliminares indicam que o impacto no PIB pode superar 0,5 ponto percentual em 2025 caso não haja reversão ou compensação. O próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as projeções de crescimento brasileiro, prevendo desaceleração caso a guerra comercial se prolongue.
Alternativas estudadas
Além das ações emergenciais, o governo brasileiro também considera alternativas comerciais. Uma das propostas em análise é ampliar os acordos bilaterais com países da América do Sul, África e Ásia, redirecionando parte das exportações prejudicadas. Há também estudos logísticos para ampliar o escoamento por portos alternativos e reduzir custos internos.
Apesar do esforço, especialistas alertam que reconfigurar os destinos da produção não é algo imediato, e o país pode enfrentar um período de transição marcado por perda de receitas e pressão sobre o setor produtivo.



