Um novo acervo dedicado à fitoterapia brasileira está sendo montado no Museu Histórico Prof. Carlos da Silva Lacaz, da Faculdade de Medicina da USP, com o objetivo de reunir registros tradicionais e científicos sobre o uso de plantas medicinais no Sistema Único de Saúde. O material foi coletado em arquivos pessoais de trabalhadores da saúde, comunidades religiosas, pastorais e agricultores, refletindo mais de duas décadas de práticas integradas no SUS, e permitirá reconstruir a trajetória da fitoterapia a partir da voz e experiência popular.
O curador do projeto, Pedro Carlessi, sanitarista e doutor em Saúde Coletiva, afirma que o acervo ajuda a diversificar a narrativa institucional da fitoterapia no Brasil, permitindo que memórias e práticas históricas de diversos grupos sociais ganhem visibilidade. A coleção é fruto de sua pesquisa de doutorado, defendida em 2023, e será organizada no museu sob supervisão do historiador André Mota e do farmacêutico Nilton Luz.
Paralelamente, a USP lidera estudos clínicos sobre os benefícios de plantas medicinais no tratamento de pessoas com sobrepeso ou obesidade. Em uma pesquisa publicada na revista Scientific Reports, voluntários foram submetidos a suplementação por seis meses com extratos vegetais — incluindo silimarina do cardo mariano, prebióticos e minerais — resultando em redução da circunferência abdominal, melhora na microbiota intestinal, diminuição de marcadores inflamatórios e cortisol, além de melhor qualidade do sono e bem-estar emocional.
Os resultados ainda indicam potencial hepatoprotetor e capacidade de modular bactérias benéficas no intestino, contribuindo no controle de inflamação relacionada à obesidade, além de auxiliar no manejo de distúrbios metabólicos. As autoras da pesquisa, lideradas pela pesquisadora Ana Flávia Marçal Pessoa, enfatizam que a suplementação fitoterápica deve ser individualizada, acompanhada de mudanças no estilo de vida e sempre orientada por profissional de saúde, já que uso inadequado pode desequilibrar a microbiota ou gerar efeitos adversos.
Este conjunto de iniciativas reforça a atuação da Universidade de São Paulo como centro de excelência não apenas na produção de conhecimento científico, mas também na construção de políticas públicas baseadas na pesquisa sobre plantas medicinais. A USP apoia-se em colaborações internas e externas para fortalecer o reconhecimento da fitoterapia como recurso terapêutico legítimo e integrado na atenção básica à saúde.



