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Série Ouro celebra Leci Brandão, Xande de Pilares e Conceição Evaristo


Três personalidades negras de destaque na cultura brasileira estão entre os enredos que serão apresentados a partir desta sexta-feira (13) nos desfiles da Série Ouro na Marquês de Sapucaí: Leci Brandão, Xande de Pilares e Conceição Evaristo.

Antigo grupo de acesso, a Série Ouro desfila na sexta e no Sábado de Carnaval. Ao todo, são 15 escolas que vão disputar uma vaga no Grupo Especial em 2027.

A escola de samba Unidos de Bangu vai em busca do título da Série Ouro do Rio com o enredo As coisas que mamãe me ensinou, uma homenagem à cantora, compositora, sambista, atriz e deputada estadual pelo PCdoB de São Paulo Leci Brandão.

O enredo dos carnavalescos Lino Sales, Alexandre Costa e Marcos du Val é o nome de uma das músicas compostas por Leci ao longo da carreira.

A Vermelho e Branco do bairro de Bangu, na zona oeste do Rio, contará na avenida a trajetória de Leci Brandão, uma vida de conquistas e também de dificuldades, divididas com a mãe, Dona Lecy, considerada sua melhor amiga.

O enredo vai abordar “a influência da família em sua formação, sua construção como mulher negra e artista, sua carreira musical e seus grandes sucessos”, incluindo a sua atuação como parlamentar na defesa dos direitos sociais.

“Em sua trajetória, soube distinguir o certo do errado, mostrando que somos, acima de tudo, as coisas que mamãe ensinou”, apontou a escola, em texto publicado no Instagram.

 


São Paulo (SP),15/03/2023 -  A deputada Leci Brandão (PCdoB) toma posse para a 20ª legislatura da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A deputada Leci Brandão (PCdoB) toma posse para a 20ª legislatura da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), em 2023. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil 

Cria da Zona Oeste

A notícia de que seria enredo da Unidos de Bangu foi recebida com muita emoção, afinal ela morou na região.

“Fiquei muito feliz, até porque, já fui moradora, não de Bangu, mas de Realengo e, depois, de Senador Camará, que é depois de Bangu [em relação ao centro do Rio de Janeiro]. Então, é uma coisa que não é tão distante da minha vida”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Essa é a primeira vez que vai ser homenageada por uma escola do Rio de Janeiro, mas, em São Paulo, isso ocorreu em 2012, quando foi enredo da Acadêmicos de Tatuapé. A escola venceu aquele carnaval e, no ano seguinte, pôde desfilar no Grupo Especial.

“Ela subiu e está se mantendo no Grupo Especial até hoje, ou seja, a gente foi pé quente para a escola”, comentou. “Se isso acontecer [de novo] vou agradecer demais a Deus e a meus orixás por tamanho presente”.

Por causa das suas atividades em São Paulo, quem acompanhou o desenvolvimento do enredo no barracão foram as sobrinhas Letícia e Noala, que foi também aos ensaios da escola. “Percebi que elas estão sendo tratadas com muito carinho. Estou muito emocionada com esse acontecimento”.

 


Rio de Janeiro (RJ)24/09/2024 – A cantora Leci Brandão participa do programa Samba na Gamboa, da TV Brasil, apresentado por Teresa Cristina. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A cantora Leci Brandão participa do programa Samba na Gamboa, da TV Brasil, apresentado por Teresa Cristina. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

História com a Mangueira

A ligação com o samba vem de longe e representa uma certa dinastia na Estação Primeira de Mangueira.

“Eu sou neta, filha e afilhada de três mulheres mangueirenses. Minha avó, Dona Bina, desfilou na Mangueira quando eu nem sonhava nascer. Minha mãe também foi pastora [coro de mulheres] de Mangueira, e minha madrinha de batismo, Lurdes Bolão, morava no Morro de Mangueira”, contou.

Foi em decorrência dos momentos em que visitava a madrinha no morro que recebeu a indicação para ser a primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira.

“São fatos que fazem com que a gente tenha uma história sempre sublinhada pela questão do samba”, pontuou.

Mesmo com tantos anos de avenida, a entrada com a Unidos de Bangu no dia do desfile vai ser uma emoção forte.

“Eu não quero nem pensar. Já sei que vou desmontar. Estou muito ansiosa e, como já passei na Marquês de Sapucaí em outros momentos, sei o que a gente sente quando a escola dá a primeira batida do surdo para entrar o samba. É muito emocionante mesmo. Agora, sendo enredo, nem sei o que vai acontecer”.

Neste ano, Leci não vai desfilar pela Mangueira, mas adiantou que vai cantar no camarote Verde e Rosa na terça-feira de carnaval (17), no Sambódromo.

Xande de Pilares

Com o enredo O ar que se respira agora inspira novos tempos, a Unidos do Jacarezinho vai celebrar o cantor, compositor, multi-instrumentista e ator Xande de Pilares, que é cria da Rosa e Branco do Jacaré, bairro da Zona Norte.

Para contar a história dele, a escola vai passar pelos locais onde viveu e mostrar a trajetória de quem se tornou um artista completo e um dos “um dos maiores nomes de sua geração no mundo do Samba”.

Para o enredista, João Silveira, transformar a vida de Xande de Pilares em enredo é uma tarefa ao mesmo tempo desafiante e muito interessante, porque ele também é um compositor com vários sambas-enredos campeões no currículo.

Um deles foi o do Império Serrano em 2025, que homenageou o baluarte da escola Laudeni Casemiro, o compositor Beto Sem Braço.

“A gente pode pegar este nome gigantesco da cultura popular e do samba, alguém que marca, sem dúvida nenhuma, a vida de milhões de brasileiros e é tão relevante como Xande de Pilares”, apontou Silveira à Agência Brasil.

Xande de Pilares recebeu a notícia de que seria enredo da Unidos do Jacarezinho muito emocionado, mas pensou se este seria o momento adequado para aceitar.

“A minha resposta era negativa, só que eu morei no Jacaré e, quando você conhece exatamente a raiz de uma escola e de uma comunidade, tem que pensar duas vezes antes de dizer não. É uma oportunidade de ser homenageado em vida”, disse à Agência Brasil.

 


12/02/2026 -  Série Ouro celebra Leci Brandão, Xande de Pilares e Conceição Evaristo. Na foto João Silveira e Xande de Pilares. Foto: Unidos do Jacarezinho/Divulgação

João Silveira e Xande de Pilares. Foto: Unidos do Jacarezinho/Divulgação

O artista acompanhou o desenvolvimento do enredo no barracão, a construção dos sambas e parte da disputa para a escolha do vencedor, por causa da movimentada agenda de apresentações.

Como compositor, aavaliou que o samba é muito bem construído de melodia e letra, mas sentiu falta de algumas referências a sua história.

“Senti falta de algumas coisas e pedi para que fosse repensado detalhes da minha história de vida que não consegui encontrar na obra, e a gente conseguiu resolver da melhor forma”, afirmou.

“Sou um cara muito emotivo, muito conectado com a minha história de vida e minha caminhada e, às vezes, sou totalmente contra travar emoção. Se emocionou, libera ela, porque um dos bons remédios que a vida tem é emoção”.

Incêndio destruiu fantasias

Faltando poucos dias para o desfile, na quinta-feira (5) a escola sofreu um baque. Às 3h20 da madrugada, um incêndio nas instalações administrativas da quadra na Avenida Dom Hélder Câmara, zona norte do Rio, destruiu fantasias de 12 alas e adereços que estavam prontos para serem distribuídos para os componentes.

Esse não foi o único incêndio, em outubro do ano passado, a escola perdeu o que estava sendo produzido no barracão, que divide com as escolas Acadêmicos de Vigário Geral, Inocentes de Belford Roxo e Unidos do Porto da Pedra.

Em nota, a escola lamentou o incêndio da semana passada, e o presidente Mattheus Gonçalves lembrou que a agremiação é a primeira a desfilar na sexta-feira (13) retornando, após 12 anos, à Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro.

À Agência Brasil, o presidente pediu que a situação fosse considerada e que a escola não fosse julgada este ano, porque estaria em desequilíbrio com as outras agremiações, o que já ocorreu com outras agremiações.

“É impossível o Jacarezinho passar na sexta-feira, a primeira escola a desfilar às 9 da noite, com condições mínimas de ser julgada. Não há qualquer condição igualitária da Jacarezinho disputar entre as coirmãs esse campeonato. Acabou sendo prejudicada com este incêndio. A comunidade está muito mexida com isso”.

Xande de Pilares também lamentou o ocorrido.

“Está todo mundo empenhado em fazer um bom trabalho, mas, infelizmente, têm coisas que acontecem na vida da gente que são para ensinar algo que vem um pouco mais à frente, e para a gente aprender que, se a vida fosse fácil, não seria a vida e não teria graça”, afirmou.

Império Serrano

Com o enredo Ponciá Evaristo Flor do Mulungu, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves, o Império Serrano, tradicional escola do Rio de Janeiro, vai homenagear a escritora Conceição Evaristo.

“Flores de Mulungu são todos os africanos em diáspora. É a África juntando os seus em seus galhos. É a velha da sabedoria ancestral, a flor em estado de graça que enxerga o tudo e o nada”, indica a sinopse, texto que explica o enredo das escolas.

O carnavalesco entende que o enredo é um casamento, em um momento muito bonito, entre o Império Serrano e a escritora, que já tinha vontade de homenagear há algum tempo. Quando a diretoria da escola fez a proposta, ele aceitou imediatamente.

“Eu acatei na mesma hora e esse casamento tem dado bons frutos”, pontuou à Agência Brasil.

 


12/02/2026 -  Série Ouro celebra Leci Brandão, Xande de Pilares e Conceição Evaristo. Império Serrano revela carro alegórico que consagra o saber negro como Academia Ancestral. Foto: Império Serrano/Divulgação

Império Serrano revela carro alegórico que consagra o saber negro como Academia Ancestral. Foto: Império Serrano/Divulgação

Renato contou que o enredo foi desenvolvido a partir das “escrevivências” de dona Conceição, com pinceladas de biografias.

“A história da vida dela é misturada com alguns de seus personagens e, a partir daí, a gente criou a personagem Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”.

Em texto publicado no seu site, o Império explicou que o termo escrevivência, criado por Conceição Evaristo, une as palavras escrita e vivência, para definir uma forma de escrever que nasce das experiências de vida, especialmente das mulheres negras.

“Mais do que ficção, a escrevivência é uma escrita marcada pela memória, pela presença do pretuguês, pela ancestralidade e pelas dores e resistências do cotidiano, rompendo com a literatura tradicional ao valorizar vozes historicamente silenciadas”.

O enredo foi bem recebido pela escola, que se identificou muito com a homenageada, que foi abraçada pela Verde e Branco de Madureira.

“A literatura de dona Conceição é muito próxima da realidade da comunidade do Império Serrano, que é formada majoritariamente por mulheres pretas. Como as escrevivências são as vivências das mulheres pretas, a identificação foi direta. Foi simbiótica, um casamento muito bonito”, concluiu.

Confira a ordem dos desfiles da Série Ouro 2026:

Sexta-feira – 13 de fevereiro

  • Unidos do Jacarezinho
  • Inocentes de Belford Roxo
  • União do Parque Acari
  • Unidos de Bangu
  • Unidos de Padre Miguel
  • União da Ilha do Governador
  • Acadêmicos de Vigário Geral

Sábado – 14 de fevereiro

  • Botafogo Samba Clube
  • Em Cima da Hora
  • Arranco do Engenho de Dentro
  • Império Serrano
  • Estácio de Sá
  • União de Maricá
  • Unidos do Porto da Pedra
  • Unidos da Ponte



Fonte: Agência Brasil

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