Durante depoimento ao Supremo Tribunal Federal, o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, ex-comandante de forças especiais do Exército, admitiu que foi o autor de um documento que previa a prisão de ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes. Segundo o militar, o texto foi elaborado dentro do setor de inteligência da 6ª Divisão do Exército, em Porto Alegre, e tinha como objetivo apenas simular um cenário de crise institucional, sem representar uma ordem real ou uma ação em andamento.
Hélio afirmou que produzir cenários hipotéticos de intervenção fazia parte das suas atribuições na época, especialmente diante da disseminação de suspeitas sobre o sistema eleitoral. No entanto, ressaltou que o material não chegou a ser encaminhado oficialmente nem validado por seus superiores, sendo descartado logo após sua elaboração. Ele declarou ainda que não houve qualquer determinação superior para que o plano fosse executado.
Apesar da alegação de que se tratava apenas de um exercício de análise, o documento fazia parte de um conjunto de materiais apreendidos durante as investigações da Polícia Federal sobre a suposta tentativa de golpe de Estado. As informações integram a denúncia da Procuradoria-Geral da República, que acusa militares e aliados do governo anterior de preparar uma ruptura institucional por meio de medidas autoritárias, como a prisão de autoridades do Judiciário e do Legislativo.
A confissão do tenente-coronel reacende o debate sobre o grau de envolvimento das Forças Armadas nos planos golpistas investigados pela operação Tempus Veritatis. Ainda que o militar tente classificar o texto como uma simulação interna, o conteúdo e o contexto em que foi encontrado apontam para intenções concretas de articular uma intervenção contra os poderes constitucionais.



