O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (1º) que Israel aceitou os termos de uma proposta de cessar-fogo de 60 dias na Faixa de Gaza. A iniciativa, segundo Trump, ainda precisa ser ajustada e formalmente assinada pelas partes envolvidas. Até o momento, o grupo palestino Hamas não se pronunciou oficialmente sobre o acordo.
Em postagem nas redes sociais, Trump afirmou que a proposta final está sendo elaborada com mediação do Catar e do Egito, e deve ser apresentada oficialmente nos próximos dias. A iniciativa conta com apoio direto dos Estados Unidos, que vêm atuando como intermediadores nas conversas com Israel.
“Israel concordou com as condições necessárias para finalizar o cessar-fogo de 60 dias, durante o qual vamos trabalhar com todas as partes para acabar com a guerra”, escreveu Trump.
“Esperamos que o Hamas aceite o acordo, pois esta é a melhor proposta possível. Se rejeitarem, a situação só irá piorar”, acrescentou.
EUA e Israel discutem cessar-fogo em reunião diplomática
Segundo o presidente norte-americano, representantes dos EUA mantiveram uma longa reunião com autoridades israelenses nesta terça-feira, com foco no avanço do acordo de paz e nas condições humanitárias em Gaza. O principal objetivo do cessar-fogo, segundo Trump, é criar espaço para negociações diplomáticas mais duradouras e reduzir o sofrimento da população civil.
A proposta de trégua por 60 dias deve incluir, nos termos iniciais, trocas de reféns e prisioneiros, além da ampliação do acesso humanitário à região — incluindo alimentos, medicamentos e combustível.
Contexto: a guerra em Gaza
A atual guerra na Faixa de Gaza teve início em 7 de outubro de 2023, após o grupo extremista Hamas lançar um ataque surpresa contra o território israelense, matando cerca de 1.200 pessoas e fazendo 251 reféns, a maioria civis. O ataque foi considerado o mais letal em território israelense desde a criação do Estado de Israel, em 1948.
Em resposta, o governo de Israel iniciou uma campanha militar massiva contra o Hamas na Faixa de Gaza. Desde então, de acordo com autoridades locais controladas pelo grupo palestino, mais de 56 mil pessoas morreram em Gaza, a maioria civis, incluindo mulheres e crianças. A região enfrenta uma crise humanitária sem precedentes, com escassez de alimentos, colapso do sistema de saúde e grande parte da população deslocada internamente.
A destruição da infraestrutura civil — como hospitais, escolas e redes de abastecimento — agravou a situação, e a desnutrição infantil tornou-se uma preocupação crítica em várias áreas do território palestino.
Tentativas anteriores de trégua
Entre janeiro e março de 2025, um cessar-fogo temporário de 40 dias foi estabelecido com intermediação internacional. Durante esse período, o Hamas libertou parte dos reféns sequestrados em 2023, enquanto Israel, por sua vez, libertou dezenas de prisioneiros palestinos mantidos em suas penitenciárias.
Contudo, com o fim do prazo da trégua, Israel retomou suas ofensivas militares, alegando que o Hamas não havia cumprido integralmente as exigências acordadas, especialmente no tocante à libertação de todos os reféns e à retirada de forças do grupo de áreas civis.
Próximos passos
Caso o novo cessar-fogo de 60 dias seja formalizado, espera-se que ele sirva como ponto de partida para negociações mais amplas visando um acordo duradouro, que envolva garantias de segurança para Israel e um plano de reconstrução e autonomia para Gaza.
Especialistas em política internacional alertam, no entanto, que a adesão do Hamas é decisiva para a efetividade do acordo, e que sem um compromisso mútuo de cessar hostilidades, qualquer trégua tende a ser temporária.
A comunidade internacional acompanha com atenção os próximos desdobramentos. O Catar e o Egito, que vêm atuando como mediadores desde o início da guerra, devem apresentar oficialmente os termos da proposta nos próximos dias.



