A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado decidiu adiar a votação da chamada PEC da Blindagem, proposta que visa restringir investigações contra parlamentares e autoridades com foro privilegiado. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (24), após intensa mobilização de movimentos civis, juristas e senadores contrários à medida.
A proposta, que já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados sob articulação do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), enfrenta forte resistência no Senado. Críticos apontam que a PEC representa um retrocesso no combate à corrupção e à transparência institucional, ao dificultar o avanço de processos judiciais contra políticos.
Durante a sessão, o relator da proposta, senador Eduardo Gomes (PL-TO), tentou manter o texto original, mas foi pressionado a abrir diálogo com os demais membros da comissão. A presidente da CCJ, senadora Davi Alcolumbre (União-AP), optou por suspender a análise para evitar um desgaste maior entre os parlamentares.
A PEC da Blindagem ganhou notoriedade após ser vinculada ao projeto de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que gerou ainda mais críticas e manifestações populares em diversas capitais. Juristas e entidades como a OAB se posicionaram contra a proposta, alegando que ela fere princípios constitucionais e compromete o equilíbrio entre os poderes.
Com o adiamento, a expectativa é que o texto seja revisado e submetido a novas audiências públicas antes de retornar à pauta da CCJ. O Senado, agora, se vê diante de um dilema: atender à pressão popular ou manter a blindagem política em nome da governabilidade.



