O Brasil está preocupado com o “risco de recurso à força militar dos Estados Unidos” no seu território, depois de Washington ter classificado dois grupos criminosos do país como organizações terroristas.”
O Brasil manifestou preocupação com o possível “risco de uso de força militar dos Estados Unidos” em território nacional depois de Washington classificar dois grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas.
O alerta foi feito pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em carta enviada ao Congresso Nacional, à qual a agência France Presse teve acesso.
“Essa classificação unilateral poderá ser invocada para justificar ações extraterritoriais contra instituições brasileiras”, afirmou o chanceler.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se opõe à classificação adotada pelos Estados Unidos. Segundo Washington, a medida permitiria ações norte-americanas contra líderes desses grupos em qualquer parte do mundo.
Em maio, o governo dos Estados Unidos declarou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A administração americana alegou que os dois grupos mantêm “redes ilícitas” que se estendem além das fronteiras brasileiras.
As facções atuam principalmente no tráfico de drogas e também têm outras fontes ilegais de arrecadação em comunidades brasileiras.
Desde que voltou à Casa Branca em 2025, Donald Trump tem classificado diferentes grupos criminosos de outros países como terroristas, entre eles o cartel de Sinaloa, no México, e o Tren de Aragua, na Venezuela.
Washington já lançou ações contra o Tren de Aragua na Venezuela e realizou ataques mortais contra embarcações apontadas como pertencentes a narcotraficantes no Caribe e no Pacífico, sem apresentar provas públicas.
No Brasil, a oposição de direita elogiou a decisão americana e acusou o governo Lula de leniência no combate ao crime organizado, em meio à aproximação das eleições presidenciais previstas para outubro.
Brasil e Estados Unidos também enfrentam divergências comerciais. A administração Trump deve decidir até 15 de julho se aplicará sobretaxas de 25% a diversos produtos brasileiros, após uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais. O governo brasileiro rejeita as acusações.
Fonte: Notícias ao Minuto



